Capítulo 37 Veyllan

O sol vermelho derramava seus últimos raios através das amplas janelas da base, criando um espetáculo de cores que se infiltrava pelos corredores metálicos. Caminhei em direção aos meus aposentos, meus passos ecoando suavemente contra o piso de liga especial, enquanto minha mente ainda processava os eventos das últimas horas. O código de acesso deslizou de meus dedos com familiaridade, e a porta deslizou silenciosamente.
Foi então que a vi. Sarah estava parada junto à janela panorâmica que ocupava toda a parede leste, sua silhueta recortada contra o céu alaranjado do planeta. A luz do entardecer a envolvia como um manto etéreo, criando um jogo fascinante de luz e sombra que dançava sobre sua pele clara. Ela vestia agora um traje de proteção padrão da base, mas mesmo sob o uniforme utilitário, sua postura emanava uma vulnerabilidade que contrastava drasticamente com a mulher determinada que conheci horas antes.
O reflexo no vidro temperado revelava seu rosto em detalhes suaves - os olhos verdes, que antes me haviam enfeitiçado com seu mistério e sedução, agora vagavam perdidos pela vastidão do deserto vermelho além da base. Suas mãos delicadas repousavam contra o vidro reforçado, dedos levemente pressionados como se tentassem alcançar algo - ou alguém - através da barreira transparente. O sol poente pintava mechas douradas em seus cabelos castanhos, criando uma auréola que apenas intensificava sua beleza etérea.
"K'lar está a caminho," anunciei, minha voz saindo mais áspera do que pretendia, traindo a turbulência de emoções que lutava para controlar. "Sua nave está entrando no sistema. O pouso está previsto para as próximas cinco horas."
O nome dele causou uma reação visível - vi seu reflexo estremecer levemente, os ombros tensos sob o tecido do uniforme. Suas mãos se contraíram contra o vidro, e por um momento, pensei ter visto uma lágrima brilhar em seu rosto. A visão dela assim, visivelmente perturbada pela menção de seu suposto companheiro, provocou uma dor aguda em meu peito.
"Você deve estar ansiosa para revê-lo," falei, as palavras saindo amargas como fel. O pensamento de que sua melancolia era por ele, que seus pensamentos já voavam para outro, corroía-me por dentro como ácido espacial.
O silêncio se estendeu entre nós, pesado como a gravidade aumentada dos níveis inferiores da base. Quando ela finalmente se virou, havia algo em seus olhos que me desconcertou completamente - não era a simples saudade que eu esperava ver, mas uma teia complexa de emoções que não conseguia decifrar.
"Comandante Veylan..." ela começou, sua voz melodiosa carregando notas de hesitação que nunca havia percebido antes. Havia algo mais ali, algo que soava como um conflito interno profundo.
"Não é o que você está pensando," Sarah continuou, virando-se completamente para mim. A luz do entardecer agora iluminava seu rosto por completo, destacando cada nuance de expressão. "K'lar... ele é o pai da minha filha."
A declaração pairou no ar como uma névoa densa. Meu cérebro lutou para processar a informação, conhecendo as impossibilidades biológicas envolvidas.
"Você teve um filhote dele?" perguntei, minha voz traindo a confusão que sentia. "Mas isso é biologicamente impossível. Nenhum macho Andromeda pode gerar vida com uma fêmea que não seja de sua espécie."
Sarah deu alguns passos em minha direção, seus movimentos graciosos mesmo sob o peso da revelação que acabara de fazer. "K'lar também não acreditou em mim." ela respondeu, sua voz tremendo levemente com emoção contida. "Mas juro pela minha vida que é verdade."
Estudei seu rosto intensamente, anos de treinamento em detecção de mentiras sendo postos à prova. Seus olhos verdes sustentaram meu olhar sem vacilar, límpidos como os lagos de cristal de Proxima B. Não havia traço de falsidade em sua expressão - ela realmente estava dizendo a verdade.
A revelação atingiu-me como uma onda de choque gravitacional. "Uma filha," murmurei, sentindo as peças do quebra-cabeça se encaixarem com um clique quase audível em minha mente. "Uma híbrida Andromeda."
"Agora entendo," continuei, minha mente militar já calculando as ramificações desta descoberta. "Todo o sigilo, sua cautela extrema... Uma fêmea capaz de conceber com um Andromeda..."
"E uma filhote fêmea," Sarah completou, seus olhos agora brilhando com uma mistura de orgulho e medo maternal. Ela se aproximou mais, baixando a voz até quase um sussurro. "Se isso se tornasse conhecido... todos os clãs, todas as facções políticas do setor..."
"Viriam atrás de vocês," completei, a magnitude da situação finalmente se revelando em toda sua complexidade. O peso da realização fez meus ombros tensionarem. "Você não estava usando minhas conexões para encontrar K'lar. Estava procurando proteção."
Atravessei a sala em direção a ela, meu treinamento militar cedendo lugar a um instinto mais básico de proteção. "Onde está a pequena agora?" perguntei, já sentindo responsabilidade pelo filhote que ainda não conhecia.
Sarah hesitou por um momento, seus dedos brincando nervosamente com a borda do uniforme. "No acampamento dos nativos, ao sul das montanhas de areia," ela respondeu finalmente. "Minha amiga Kira está com ela. Ela é uma Syrenia, O nativo que está com elas me garantiu que conseguiria mantê-las seguras e escondidas de seu povo enquanto eu vinha até você."
"Não é seguro deixá-las lá," declarei, já me movendo em direção ao painel de comunicação embutido na parede. Meus dedos dançaram sobre os controles com urgência calculada. "Vou enviar uma equipe de elite, pessoas em quem confio com minha vida. Aqui na base, posso garantir proteção total até a chegada de K'lar."
"Você faria isso?" Sarah perguntou, sua voz embargada de emoção contida. A esperança em seu tom fez meu coração apertar.
"Nenhum mal virá a vocês enquanto estiverem sob minha proteção," prometi com firmeza, minha voz carregando o peso de anos de comando. "Sua filha... ela é mais do que uma criança. É um milagre vivo, algo que gerações de cientistas consideravam impossível."
Ativei meu comunicador neural com um pensamento. "Krav'th," chamei meu segundo em comando, "prepare uma equipe de resgate discreta. Quero nossos melhores elementos. Coordenadas serão enviadas em protocolo cifrado."
Sarah se aproximou da janela novamente, mas desta vez sua postura era diferente - havia uma suavidade em seus movimentos, como se um peso tivesse sido parcialmente removido de seus ombros. "Ela tem apenas dois ciclos solares," disse suavemente, um sorriso maternal iluminando seu rosto. "Seu nome é Aurora. Seus olhos... são verdes como os meus, mas sua pele tem o tom vermelho característico dos Andromeda. E herdou meus cabelos castanhos."
"Uma combinação única," comentei, lutando contra a pontada de dor que senti ao ver o orgulho maternal em seu rosto. Não pude evitar imaginar como seria se eu fosse o pai daquele filhote extraordinário, se aquele sorriso fosse direcionado a uma criança nossa.
O sol finalmente mergulhou além do horizonte, deixando apenas um rastro de luz violeta no céu. As luzes automáticas dos meus aposentos se acenderam suavemente, criando um ambiente mais íntimo. Sarah permaneceu em silêncio, seus pensamentos claramente voltados para sua filha, enquanto eu iniciava os preparativos para a missão de resgate. O tempo agora era crucial, e havia muito a ser feito antes que K'lar chegasse - e com ele, inevitavelmente, mais complicações.
Me desculpa novamente a demora para atualizar muito trabalho para fazer e não tive tempo para escrever. PS: não tenho pena do comandante ainda... pois nosso alie vermelho é adepto a filosofia que no amor e na guerra vale tudo.

Comentário do Livro (87)

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    SofíaCamila

    amei

    27/08

      0
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    Pereira dos SantosMarcelo

    muito legal

    20/07

      0
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    Borges AlvesRikelme

    bom app

    15/05

      0
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