Capítulo 36 Veyllan

Na sala de comando do Complexo de Mineração Vermelho-7, permaneci em pé, minha silhueta projetando sombras alongadas no piso metálico. Como Comandante, supervisor supremo do maior complexo de mineração do quadrante Andrômeda, o peso de minhas responsabilidades era tão denso quanto a atmosfera processada que respirávamos. Cada decisão que tomava afetava diretamente as vidas de milhares de trabalhadores, técnicos e suas famílias que chamavam esta base de lar.
O ar estava carregado com o aroma característico de minerais processados e poeira do deserto - uma mistura única que nem mesmo nossos sofisticados sistemas de filtragem conseguiam eliminar completamente. Era um lembrete constante do ambiente hostil que nos cercava: um planeta desértico com dois sóis impiedosos e tempestades de areia que poderiam desintegrar durasteel sem nossos campos de força.
Ao meu redor, dezenas de telas holográficas flutuavam no ar, exibindo uma dança hipnótica de dados em tempo real: níveis de produção, status dos campos de força, leituras atmosféricas, relatórios de segurança. Cada display pulsava com seu próprio ritmo, alimentando informações vitais para nossa operação.
"Comandante," a voz grave de Krav'th, meu oficial de defesa chefe, cortou através de meus pensamentos. Seus chifres decorados com anéis de patente em liga de chronium, captavam a luz artificial em ângulos precisos. As cicatrizes em sua pele vermelha escura contavam histórias silenciosas de batalhas passadas. "Detectamos uma anomalia no setor 14 novamente."
Observei enquanto ele manipulava os controles com dedos experientes, ampliando a área em questão no display principal. Suas marcações faciais, típicas da casta guerreira de nossa espécie, se contraíram em concentração.
"Especifique," ordenei, embora minha mente continuasse parcialmente distraída com pensamentos de Sarah. O modo como seu corpo alienígena se movia com uma graça única, como seus olhos mudavam de tom dependendo da luz, como sua pele pálida contrastava com a minha...
"Uma nave não autorizada, senhor," Krav'th respondeu, interrompendo meus devaneios. "Classe média, configuração de exploração. Está tentando penetrar nosso perímetro defensivo."
Lt. Zar, nosso especialista em comunicações, seus chifres mais curtos indicando sua juventude, mas não menos decorados com as marcas de sua linhagem nobre, inclinou-se sobre sua estação. "Estão transmitindo em todas as frequências, senhor. Solicitando permissão para..."
"Destrua-a," ordenei secamente, desejando resolver este inconveniente rapidamente para poder retornar aos meus aposentos onde Sarah aguardava. Não tínhamos tempo para intrusos, não quando cada momento longe dela parecia desperdiçado.
"Espere!" Uma voz masculina invadiu nosso canal de comunicação. "Aqui é K'lar da Frota de Exploração Andromeda. Não ataquem! Estou rastreando uma cápsula de fuga. Minha companheira... acredito que ela está aí."
O ar na sala de comando pareceu congelar. Meus chifres emitiram um brilho suave de tensão - uma característica involuntária de nossa espécie quando sob estresse intenso. Os outros oficiais mantiveram seus olhos fixos em suas estações, suas peles assumindo tons mais escuros de apreensão.
"Identifique sua companheira," exigi, minha voz ecoando pela sala metálica com uma autoridade que não combinava com o tumulto em meu interior.
"Ela é... diferente," K'lar hesitou brevemente. "Uma não-Andromeda. Cabelos da cor do solo fértil, olhos que mudam como cristais de kyanita. Tem uma marca característica, como uma lua crescente, na base de suas costas. Seu nome é Sarah."
Minhas garras deixaram marcas profundas no console de comando. Sarah - minha Sarah - ou melhor, nunca realmente minha. A única alienígena em nossa base, aquela que havia me enfeitiçado com sua diferença, com sua pele sem marcações e ausência de chifres... A mesma que havia compartilhado minha cama apenas alguns momentos antes.
"Ela desapareceu durante um ataque de mercenários," continuou Ka'Veran, sua voz carregada de emoção. "Rastreei sua cápsula de fuga até este setor. Por favor... ela é minha companheira. Tenho procurado por ela há seis ciclos lunares."
O silêncio na sala de comando era absoluto, quebrado apenas pelo suave zumbido dos sistemas de suporte à vida. Através das janelas blindadas, uma tempestade de areia se aproximava no horizonte, tingindo o céu de um vermelho ainda mais intenso que nossa própria pele.
"Autorize a aterrissagem," ordenei finalmente, minha voz tão árida quanto o deserto lá fora. "Setor 3, plataforma B."
Voltei-me para a janela panorâmica, observando as dunas infinitas que cercavam nossa base. Os dois sóis começavam seu lento mergulho no horizonte, pintando o céu com tons de vermelho que rivalizavam com nossa própria coloração. Os campos de força cintilavam, repelindo a primeira investida da tempestade que se aproximava.
Meus pensamentos eram uma tempestade própria. Sarah havia me procurado sabendo que era apenas um substituto temporário? Buscando consolo nos braços de outro Andromeda pela familiaridade de nossa espécie? Ou pior - havia me usado deliberadamente, sabendo que minha posição como Comandante eventualmente a levaria de volta a seu verdadeiro companheiro?
Os dados das operações de mineração continuavam flutuando ao meu redor, ignorados. Meus chifres, marcados com os símbolos ancestrais de minha linhagem, emitiam um brilho opaco de humilhação. Como Comandante supremo deste complexo, estava acostumado a controlar cada aspecto de nossas operações, mas não podia controlar o modo como havia sido manipulado.
"Senhor?" A voz de Krav'th me trouxe de volta ao presente. "Devo preparar uma escolta?"
"Não," respondi secamente. "Eu mesmo irei recebê-los."
Afastei-me da janela, minha mente já formulando o que diria quando finalmente os encontrasse. Em apenas um dia, havia encontrado algo precioso apenas para descobrir que nunca foi meu para começar. Como o minério raro que extraíamos das profundezas deste planeta hostil, Sarah também pertencia a outro.
A tempestade lá fora espelhava perfeitamente a turbulência em meu interior, enquanto me preparava para enfrentar não apenas ela, mas também seu legítimo companheiro. O ar denso da sala de comando parecia sufocante agora, carregado não apenas com o cheiro de minerais, mas também com o peso de revelações não desejadas e promessas quebradas.

Comentário do Livro (87)

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    SofíaCamila

    amei

    27/08

      0
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    Pereira dos SantosMarcelo

    muito legal

    20/07

      0
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    Borges AlvesRikelme

    bom app

    15/05

      0
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