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Capítulo 21
Savannah estava de frente para o espelho do camarim reservado para ela no Plaza Hotel. O ambiente era tão luxuoso quanto se esperava: móveis clássicos em tons de dourado e branco, um lustre de cristal que brilhava suavemente, e um perfume sutil de rosas que parecia envolver o ar. O vestido de cetim branco perolado que vestia era a combinação perfeita de simplicidade e sofisticação. O corte ombro a ombro realçava sua silhueta, e o tecido caía como uma cascata de perfeição até o chão.
Ela respirou fundo, ajustando o véu com cuidado. O peso do momento parecia se multiplicar a cada segundo, mas não era apenas o peso do casamento. Era o peso das últimas três semanas, que haviam passado como um borrão.
Três semanas. Savannah ainda se lembrava do instante em que assinara o contrato, selando o acordo que a levaria até aquele momento. Desde então, sua vida tinha se transformado em uma série de eventos meticulosamente planejados.
Havia passado horas com Anthony em reuniões e jantares, ao lado de seus pais, Olivia e William, figuras imponentes: elegantes e estrategistas. Olivia, em especial, era muito atenciosa. William, embora mais reservado, fazia perguntas estratégicas, sempre voltadas para o impacto daquele casamento na imagem da família Fletcher.
Ela também passara dias escolhendo flores, provando menus e discutindo detalhes com Emma, a secretária de Anthony, que assumira o papel de organizadora do casamento. Tudo precisava ser impecável, clássico, mas luxuoso, como Anthony insistia em repetir. Savannah se sentira esmagada pelo ritmo intenso e pela frieza do processo. Não havia espaço para emoção, apenas eficiência.
O salão principal do Plaza estava decorado com elegância discreta, exatamente como planejado. Flores brancas – rosas, lírios e orquídeas – estavam dispostas em arranjos minimalistas que percorriam o corredor central e adornavam as mesas. O chef Bernard Chassagne havia preparado um menu impecável, com pratos refinados que impressionariam qualquer um dos convidados. A lista era restrita: apenas pessoas influentes do meio corporativo, amigos próximos de Anthony e, claro, os pais dele. O pai de Savannah não estava ali. Ele havia decidido não comparecer, dizendo que aquele casamento “não era algo em que ele gostava”. Ela dissera a si mesma que não importava, mas, no fundo, sentia um aperto no peito.
Elijah também não estava lá. Ela não havia tido coragem de falar com ele desde que aceitou o acordo. Ele havia tentado ligar algumas vezes, mas ela ignorara as chamadas. Era mais fácil assim. Mais fácil não encarar as perguntas ou a decepção nos olhos dele.
Savannah passou os dedos pelo colar simples que usava – um presente de sua mãe, algo que ela fazia questão de carregar consigo. Era sua forma de se conectar ao que restava de sua verdadeira identidade, um pedaço de quem ela era antes de toda aquela farsa começar.
Uma batida na porta a tirou de seus pensamentos. A maquiadora entrou com um sorriso caloroso. “Você está deslumbrante, Savannah. Está pronta?”
Ela respirou fundo e assentiu. “Acho que sim.”
Enquanto a maquiadora fazia os últimos retoques, Savannah olhou para seu reflexo novamente. Havia algo quase irônico naquele momento. Ela estava vestida como uma noiva dos sonhos, mas, por dentro, sentia-se como uma atriz prestes a subir no palco.
O tempo parecia passar em câmera lenta enquanto ela era conduzida para fora do camarim e levada para a entrada do salão. A música suave do piano ecoava pelo corredor, e o murmúrio dos convidados podia ser ouvido ao longe. Anthony estava lá dentro, esperando por ela. Ele, como sempre, estaria impecavelmente vestido, provavelmente com aquele mesmo semblante inabalável que ele exibia em todas as situações.
“Savannah?”
Ela se virou e viu Emma, segurando um pequeno buquê de rosas brancas. “Está na hora.”
Savannah pegou o buquê e ajustou o véu uma última vez. Suas mãos tremiam levemente, mas ela tentou disfarçar.
Quando as portas do salão se abriram, o ar pareceu desaparecer por um instante. Todos os olhares estavam voltados para ela, e o salão – com seu teto alto, lustres brilhantes e as flores impecáveis – era a perfeita definição de grandiosidade.
Savannah começou a caminhar pelo corredor, os passos leves, mas firmes. A cada passo, ela sentia o peso do momento. Não era um conto de fadas, e aquele não era o casamento que ela sonhara quando era mais jovem, mas, ainda assim, era o papel que ela havia escolhido desempenhar.
Quando finalmente chegou ao altar, Anthony a esperava. Ele a olhou nos olhos, e, por um breve momento, Savannah viu algo diferente. Talvez fosse admiração ou apenas respeito pelo que ela estava sacrificando. Seja o que fosse, aquele olhar a deixou desconcertada.
Ele estendeu a mão, e ela colocou a sua sobre a dele, tentando ignorar o turbilhão de emoções que sentia.
O celebrante começou a cerimônia, e Savannah deixou que as palavras passassem por ela como uma brisa distante. Tudo parecia surreal. Ela sorriu quando necessário, repetiu as palavras que precisava repetir e segurou a mão de Anthony com a firmeza que ele esperava.
Quando o momento chegou, Anthony inclinou-se e beijou-a levemente nos lábios. Foi um gesto ensaiado, mas o suficiente para os convidados aplaudirem com entusiasmo.
Savannah sorriu, mas, por dentro, sabia que aquele era apenas o começo de uma vida que, apesar de luxuosa, estava longe de ser real.
Savannah sabia que tinha desempenhado seu papel com maestria, mas o peso da farsa não era menos esmagador agora que ela estava oficialmente casada com Anthony.
Os convidados foram conduzidos ao salão de festas adjacente, que estava deslumbrante. O espaço era banhado por luzes quentes que refletiam nos lustres de cristal. As mesas, cobertas com toalhas de linho branco e arranjos de rosas, lírios e orquídeas, formavam um cenário digno de uma revista de luxo. No fundo do salão, uma banda ao vivo tocava músicas clássicas, suas notas ecoando suavemente enquanto os convidados se acomodavam.
Savannah estava perto de Anthony, cercada por figuras importantes do meio corporativo que pareciam mais interessados em impressionar Anthony do que em conhecê-la de verdade. Ela sorriu e conversou educadamente, como havia aprendido a fazer nas últimas semanas. Anthony, como sempre, mantinha uma postura impecável, respondendo com frieza calculada a cada comentário ou elogio.
“Você está indo bem,” Anthony comentou baixo, enquanto um pequeno intervalo surgia na conversa.
“Obrigada,” Savannah respondeu, sem olhar diretamente para ele. “Você também.”
Antes que ele pudesse responder, um som suave de copos sendo batidos com talheres chamou a atenção de todos. Um dos amigos de Anthony, um empresário chamado Richard, ergueu sua taça e sorriu para o casal.
“Anthony, Savannah,” ele começou, a voz alta e confiante. “Não podemos ter uma noite como essa sem ver os noivos abrirem a pista de dança. O que vocês dizem?”
Savannah sentiu as bochechas corarem levemente enquanto todos os olhares se voltavam para ela e Anthony. Ela estava prestes a inventar uma desculpa quando Anthony estendeu a mão para ela, seu semblante calmo como sempre.
“Vamos dar a eles o que querem,” ele disse, a voz baixa o suficiente para que apenas ela ouvisse.
Savannah hesitou por um momento antes de aceitar a mão dele. Ele a conduziu até o centro do salão, onde a pista de dança estava vazia, à espera deles. A banda começou a tocar uma melodia suave, um clássico atemporal que preenchia o ambiente com uma elegância sutil.
Anthony segurou sua mão com firmeza e colocou a outra em sua cintura, guiando-a com precisão. Savannah seguiu seus passos, surpreendida pela habilidade dele na dança.
“Você é bom nisso,” ela comentou, tentando aliviar a tensão com um sorriso.
“Você parece surpresa,” ele respondeu, um canto de sua boca se curvando levemente em algo que quase parecia um sorriso. “Eu aprendi cedo. Meus pais achavam importante que eu soubesse dançar.”
“Claro que achavam,” Savannah respondeu, não resistindo à pequena provocação.
Anthony a girou suavemente, trazendo-a de volta para perto de si. Ele não disse nada por um momento, mas seu olhar parecia mais intenso, como se estivesse tentando decifrá-la. “Talvez você devesse voltar a dançar,” ele sugeriu, repetindo o que havia dito semanas antes.
“Talvez,” ela respondeu, desviando o olhar.
Os dois continuaram a dançar, seus movimentos perfeitamente sincronizados. Para os convidados, pareciam o casal perfeito, radiantes e apaixonados. Mas, para Savannah, havia uma camada de irrealidade em tudo aquilo.
“Você está sorrindo,” Anthony comentou, baixinho.
Ela ergueu o olhar para ele, surpresa. “O quê?”
“Você está sorrindo,” ele repetiu. “Parece… genuíno.”
Savannah piscou, percebendo que ele tinha razão. Ela estava sorrindo, mesmo que por um breve momento. “Talvez seja porque, por alguns minutos, isso parece menos falso,” ela admitiu, antes de se censurar por ser tão honesta.
“Talvez não precise ser tão falso,” ele disse finalmente, a voz baixa.
Antes que Savannah pudesse responder, a música terminou, e os aplausos dos convidados encheram o salão. Anthony soltou sua mão, mas não antes de apertá-la levemente, um gesto quase imperceptível que a deixou confusa.
“Obrigado,” ele disse aos convidados, voltando à sua postura habitual. Ele ofereceu o braço a Savannah, que aceitou, e os dois caminharam de volta para a mesa principal.
Enquanto a noite continuava, Savannah não conseguiu tirar da cabeça as palavras de Anthony. Talvez não precise ser tão falso. O que ele queria dizer com aquilo? Era apenas mais um jogo dele, ou havia algo mais?
Ela observou Anthony enquanto ele conversava com os convidados, a expressão neutra de sempre no rosto. Ele era um mistério para ela, e talvez sempre seria. Mas, naquele breve momento na pista de dança, Savannah sentiu que talvez houvesse mais nele do que o homem frio e calculista que ela conhecia.Baixar Novelah App
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0Maravilhoso!chama muita atenção do leitor.
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