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Capítulo 64. Rota de fuga (Parte 3)
BILLY
Mais uma noite se aproximava, e naquele momento, meu ânimo estava renovado. Sentia-me confiante de que tudo transcorreria conforme o planejado. A saudade, contudo, tornava-se uma presença constante, afetando-me a cada dia que passava. Nutria a esperança de que o senhor Foley pudesse me perdoar após aquela loucura, pois magoá-lo era a última coisa que desejava. Ao deitar-me, fixei meu olhar persistentemente em cada detalhe da planta da clínica.
Surpreendentemente, já havia memorizado todos os elementos, dado o hábito dos últimos dias de examinar aquele mesmo pedaço de papel com uma frequência incomum. No silêncio da noite, os sons da rua eram abafados pelo peso das minhas preocupações. Cada sombra no quarto parecia ocultar segredos e incertezas, alimentando a ansiedade que me consumia.
Embora exausto, o sono não chegava. Consciente de que precisava descansar para enfrentar o próximo dia, minha mente permanecia alerta, dominada pela ansiedade e pela expectativa dos eventos próximos, dificultando a tranquilidade necessária para repousar.
— Billy, tá dormindo? — Sussurrou Peter ao abrir a porta do quarto onde eu repousava.
— Ainda estou acordado! — murmurei, minha voz carregada de cansaço e nervosismo.
— Trouxe isso pra você! — Jogou um par de óculos transparentes em minha mão, seus olhos refletindo preocupação.
— E por que eu precisaria disso? — Perguntei confuso, sentando-me na cama e olhando para os óculos.
— Os seguranças podem te reconhecer, é melhor usar isso amanhã! — Explicou em sussurros, como se o peso da situação estivesse pressionando seus ombros também.
— Hm, obrigado. Como estou? — Coloquei os óculos no rosto, tentando ignorar o turbilhão de pensamentos que me assaltava.
— Um verdadeiro galã! — Gargalhou ele, tentando trazer um pouco de leveza ao momento, mas eu só conseguia pensar no que estava por vir.
— Ei cara, posso dormir no seu quarto? — Murmurei, me sentindo subitamente solitário e necessitando de qualquer forma de companhia.
— Claro que sim, desde que não seja na minha cama! — Sorriu, tentando quebrar a tensão com um pouco de humor.
— Não seja idiota! — Peguei o colchão com o travesseiro, lutando para controlar a ansiedade que se manifestava fisicamente em meu corpo.
— Vamos dormir, amanhã será o grande dia, Billy! — Entregou-me um lençol e um cobertor, sua voz soando como um misto de empolgação e apreensão, refletindo perfeitamente meus próprios sentimentos.
A noite, mais uma vez, se tornava um desafio para encontrar o sono. A mente inquieta, permeada por preocupações e ansiedades, parecia uma teia de aranha intrincada. Foi então que, buscando uma solução já conhecida, recorri à cerveja gelada. Suas memórias surgiram como um raio de luz em meio às trevas da insônia, lembrando-me de como aquele líquido dourado costumava acalmar minha mente e conduzir-me ao sono. Agarrado à garrafa fria na mão, dei três goles rápidos.
A sensação de frescor desceu pela garganta, e quase imediatamente uma leveza se apoderou de mim. O sono chegou de forma rápida e determinada, envolvendo-me como uma manta quente em uma noite fria de inverno. Entretanto, o despertador insistiu em sua missão de arrancar-me daquele sono profundo e tranquilo, tocando pontualmente às cinco da manhã. A luz implacável da tela que iluminou o quarto trouxe-me de volta à realidade, contrastando com a escuridão lá fora, onde o mundo ainda dormia. Meus olhos pousaram na garrafa de cerveja ao lado da cama, e uma expressão de desaprovação tomou conta do meu rosto.
Decidido a não deixar aquilo se tornar um hábito, levantei-me com determinação e despejei o restante do líquido indesejado pelo ralo da pia do banheiro. Após uma rápida rotina de higiene matinal, vesti o uniforme de enfermeiro, mesmo que fosse apenas uma farsa. Peguei algumas peças de roupa da Briana, jogando-as descuidadamente em uma bolsa.
Chamei pelo Peter, cujo sono parecia ser tão profundo quanto o meu acabara de ser. Quase dei-lhe um pontapé motivador antes de finalmente o acordar. Realizei uma chamada para o Derek, que já nos aguardava no ponto de encontro designado, a rota 42. O dia prometia ser desafiador, mas a determinação em enfrentá-lo era ainda maior. Peter deu partida no carro, cujo motor ronronava suavemente, notavelmente mais silencioso que o meu.
Era parte do nosso plano não chamar atenção indesejada. Rumamos em direção ao estacionamento da clínica, aguardando discretamente o momento oportuno durante a troca de turnos dos funcionários. Enquanto eu estava absorto, revisando pela última vez o layout do prédio em minha mente, fui abruptamente retirado de meus pensamentos quando Lauren apareceu de repente, seu rosto se materializando através da janela do carro como um fantasma do passado, quase me causando uma parada cardíaca.
A tensão no ar aumentou instantaneamente, e eu mal pude conter a ansiedade que se apoderou de mim enquanto aguardávamos a oportunidade de entrar na clínica sem levantar suspeitas.
— Puta merda, que susto! — Exclamei involuntariamente.
— O que diabos você está fazendo aqui? — Peter arregalou os olhos, sua voz carregada de surpresa e preocupação.
— Peguei um táxi e segui vocês! O que estão pensando em fazer? — Lauren cruzou os braços, seu olhar incisivo buscando respostas.
— Vamos tirar a Briana desse lugar. — Murmurei, minha determinação enfrentando seu olhar desafiador.
— Vocês ficaram loucos? Billy, eles têm um processo em andamento contra você, esqueceu? — Lauren rosnou as palavras entre dentes, a tensão entre nós era perceptível.
— Vamos fazer isso com ou sem o seu consentimento, só que sem ele será um pouco mais difícil! E aí, o que vai ser? — Encarei os olhos arregalados da minha irmã, desafiando-a a nos deter.
— Sei que vou me arrepender disso! — Ela suspirou resignada. — Vão logo, ficarei esperando aqui no carro! — Lauren abriu a porta do automóvel dando-me passagem para sair.
— Não saia daqui por nada, entendeu? — Peter a encarou, e ela concordou de imediato, a expressão séria refletindo a gravidade da situação.
No estacionamento envolto em tensão, sob a luz fraca dos postes que mal iluminava a escuridão da noite, avançamos em direção à clínica. Cada passo era uma aposta arriscada, conscientes de que estávamos caminhando sobre uma linha tênue entre o sucesso e o fracasso. O plano estava em andamento, mas a presença inesperada de Lauren aumentou a pressão, transformando a operação já perigosa em um verdadeiro jogo de nervos.
O destino de Briana estava nas nossas mãos, mas o verdadeiro desafio apenas começava. Com cautela, nos misturamos à equipe da manhã que já começava a chegar, deslizando pelas portas da clínica sem levantar qualquer suspeita. O coração batia forte no peito, a adrenalina pulsando em minhas veias enquanto nos movíamos pelo prédio. Briana estava no terceiro andar, e minha maior preocupação era ter controle sobre a situação, sabendo que ela poderia estar dopada com os medicamentos administrados ali.
— Peter, vou direto para onde ela está! — Anunciei enquanto embarcava no elevador e pressionava o botão número três, a determinação evidente em minha voz.
A espera na subida parecia uma eternidade, cada segundo marcando a urgência da missão. No embarque solitário no elevador, eu me sentia como se estivesse no olho de um furacão, aguardando o próximo giro que poderia ser a calmaria ou a tempestade. Contudo, essa breve tranquilidade foi abruptamente interrompida quando o elevador parou no segundo andar, e para meu espanto, um dos seguranças que havia me confrontado dias antes entrou.
Permaneci estático, tentando manter uma expressão serena enquanto meu coração batia descompassado dentro do peito. Ajeitei os óculos que Peter havia me dado, uma pequena tentativa de disfarçar minha identidade. Logo o segurança iniciou uma conversa, sua voz soando como um alerta em meus ouvidos, enquanto eu respondia com cautela, cada palavra medida para não levantar suspeitas. A tensão crescia a cada minuto, cada pergunta do segurança sendo um obstáculo a superar.
Meu coração martelava forte, consciente de que qualquer deslize poderia colocar em risco toda a operação. O terceiro andar se aproximava lentamente, a incerteza me envolvendo como uma nuvem carregada, tornando cada segundo crucial para o sucesso da missão.
— Você me parece familiar, eu te conheço de algum lugar! — Ele me encarou com um olhar perspicaz.
— De fato, trabalho aqui todos os dias, então é natural que nos encontremos com certa frequência! — Respondi, tentando manter a voz firme apesar do nervosismo.
— Em qual setor você trabalha? — Sua desconfiança era evidente.
— Sou da equipe do décimo andar! — Menti, sentindo minhas mãos começarem a tremer levemente.
— Ah, legal! Preciso de ajuda com duas garotas no andar três! Pode ficar com elas enquanto vou tomar café? — Ele sorriu, aparentemente satisfeito com minha resposta.
— Claro, desde que seja rápido! — Concordando com o pedido, ajustei novamente os óculos para esconder minha ansiedade.
Ele me entregou uma prancheta com algumas fichas e o nome da Briana chamou minha atenção. Com um aceno, ele saiu do elevador, deixando-me com a responsabilidade de cuidar das pacientes no terceiro andar. Saí com determinação do elevador e caminhei até a porta do quarto indicado na ficha, consciente de que cada passo me aproximava mais do objetivo arriscado que estava prestes a alcançar.
Ao alcançar o quarto onde Briana estava, tomei uma respiração profunda e entrei, preparado para enfrentar qualquer obstáculo em meu caminho. Ao adentrar o cômodo, deparei-me com Briana deitada, aparentemente inconsciente sobre a cama, e outra paciente na cama ao lado. O silêncio do ambiente contrastava de forma aguda com a turbulência que se desenrolava dentro de mim.
Com a prancheta firmemente em mãos, comecei a revisar os detalhes dos exames, mantendo a fachada de calma e controle enquanto avaliava a situação. Cada movimento, cada olhar cauteloso, era crucial para garantir o sucesso da missão e o resgate seguro de Briana. Aproximei-me da cama dela com passos lentos e silenciosos, minha respiração controlada apesar da ansiedade que fazia meu peito apertar.
Um rápido beijo na testa da minha garota foi minha forma silenciosa de transmitir tranquilidade, de prometer que tudo ficaria bem. No entanto, antes mesmo que eu pudesse processar qualquer reação, uma forte pancada atingiu minha cabeça, fazendo o mundo girar em um borrão de dor e confusão.
O choque foi instantâneo, a escuridão se fechando ao meu redor enquanto lutava para manter a consciência. Cada pensamento se tornou um turbilhão caótico, as vozes distantes, as mãos que me seguravam, a luta desesperada para permanecer consciente e entender o que estava acontecendo. O resgate de Briana, a missão, tudo se misturou em um emaranhado de dor e incerteza, enquanto o tempo parecia desacelerar, cada segundo prolongando a agonia do desconhecido.
— Se afaste dela, seu pervertido! — Ouvi um grito, mas minha mente ainda estava envolta pela névoa do impacto.
— Meu Deus, Billy? — Briana arrancou os óculos do meu rosto, seu olhar misturando perplexidade e preocupação.
No ambiente tenso, a realidade se entrelaçava com o inesperado, criando uma cena de drama e confusão. Briana, surpreendida com minha presença, tentava decifrar a situação enquanto eu lutava para recuperar meus sentidos após a pancada. A dor latejante na minha cabeça era um cruel lembrete de que o resgate estava longe de ser uma jornada simples. A garota que me atacou permanecia ali, encarando-nos com incredulidade.
— Você o conhece? Ah, meu Deus, é o seu namorado! — Ela exclamou, sua voz denotando surpresa, os olhos arregalados refletindo o choque da descoberta.
— Por que você bateu nele? — Briana perguntou, indignada, as mãos crispadas em punhos ao lado do corpo.
— Ele te deu um beijo enquanto dormia, pensei que fosse um enfermeiro aproveitador! — A garota explicou, sua expressão ainda carregada de desconfiança, os lábios apertados em desculpas não ditas.
— Billy, você está me ouvindo? — Briana tentou chamar minha atenção, os olhos preocupados fixos em meu rosto contorcido de dor.
— É claro que ele está ouvindo, a pancada nem foi tão forte assim! — A garota abaixou-se diante de mim, parecendo se sentir culpada, os olhos baixos em remorso.
— Briana, você está bem? — Levantei-me com dificuldade, esfregando a cabeça dolorida, os pensamentos embaralhados pela confusão.
— Estou bem sim, o que faz aqui? — Ela parecia confusa e aliviada ao mesmo tempo, os olhos brilhantes de emoção.
— Vim te buscar, pensei que te encontraria sedada! — Expliquei, tentando focar apesar da dor latejante.
As duas trocaram olhares, e Briana pareceu entender a situação, um sorriso de alívio se formou em seus lábios.
— Estamos burlando o sistema de medicação! — Ela saltou no meu colo e me deu um beijo rápido, expressando sua gratidão por me ver ali, o calor do gesto transbordando emoção.
— Briana, não temos tempo pra isso agora, precisamos ir! — Coloquei os óculos de volta no rosto, sentindo o peso da urgência sobre nós, o coração apertado com o peso da responsabilidade.
— Ela tem que ir com a gente! — Briana segurou o braço da garota que me havia atacado, o olhar determinado e solidário.
— O que? Como assim? — Eu ergui uma sobrancelha, surpreso, os pensamentos correndo para entender a reviravolta inesperada.
— É indiscutível, ela me ajudou aqui dentro, e eu não vou sem ela! — Briana cruzou os braços com determinação, sua voz firme e decidida, os olhos brilhantes de compaixão e gratidão.
No meio do caos que se instaurava no quarto, o inusitado plano de resgate começava a tomar forma. Ao me deparar com Briana, surpreendida pela minha chegada, e a garota que erroneamente tinha me atacado, percebi que estávamos no epicentro de uma decisão crucial. Com o tempo se esgotando, as escolhas precisavam ser tomadas com rapidez, a urgência do momento nos impelia a uma fuga improvável, enquanto tentava decifrar o papel dessa nova aliada inesperada em meu perigoso quebra-cabeça.
— Tá bom, deixe-me pensar! — Passei de um lado para o outro, o coração batendo descompassado enquanto as ideias se entrelaçavam em minha mente.
Percebi que havia uma maca no canto do quarto; sua parte superior era a área destinada ao paciente, enquanto a parte inferior servia como uma espécie de bagageiro. Rapidamente, posicionei as duas garotas sentadas na parte de baixo e as cobri com um lençol, criando um disfarce improvisado para nossa fuga. Com cuidado, abri a porta do quarto, verificando se não havia ninguém nos observando.
O corredor parecia vazio e silencioso, contribuindo para a nossa sorte temporária. Senti um alívio momentâneo ao empurrar a maca para fora do quarto. No entanto, a tranquilidade foi interrompida abruptamente quando o maldito segurança ressurgiu no cenário, uma sombra indesejada no nosso plano de liberdade.
— Ei, cadê as garotas? — Indagou o segurança, seu olhar vasculhando a cena em busca de pistas.
— Estão fazendo os exames que te falei! Não se preocupe, logo estarão de volta! — Engoli em seco, a mentira saindo como um fio tênue de esperança.
— Hum, está bem então. Vou dar uma olhada por aqui, mas fique atento! — Alertou, antes de se afastar. Seus olhos ainda tinham um brilho de suspeita, como se soubesse que algo estava fora do lugar.
— Fique à vontade! — Continuei empurrando a maca, o coração martelando no peito, a adrenalina misturada com o medo de sermos descobertos a qualquer momento.
Respirei fundo, aproveitando o breve momento de tranquilidade. Ainda tínhamos um longo caminho até a verdadeira liberdade, e cada passo era uma corrida contra o tempo e a vigilância implacável do local. Nos corredores sombrios da clínica, minha fuga improvisada estava em andamento.
A maca, agora nosso disfarce temporário, deslizava pelos corredores silenciosos, enquanto eu mantinha um olhar vigilante em busca de qualquer sinal de problema. A presença constante de seguranças mantinha a adrenalina em alta, e eu continuava empurrando a maca, mantendo a calma na superfície, mesmo que a urgência do momento crescesse a cada passo. Embarcamos no elevador e pressionei o botão dois.
Rapidamente, nos aproximamos de uma imponente porta vermelha. Liberei a tranca usando o crachá, e corremos pelo extenso corredor até alcançar outra porta, indicada como saída de emergência por uma placa luminosa. Nesse momento, meu coração quase parou. "E se alguém já descobriu tudo? E se estiverem à nossa espera do outro lado?" Ponderava, sentindo minhas pernas travarem de ansiedade.
A garota que nos acompanhava percebeu minha hesitação e, ágil, tomou o crachá da minha mão, deslizando-o pela porta e liberando a saída. Para nossa sorte, não encontramos ninguém do outro lado. Após uma corrida frenética, chegamos ao carro, onde as coloquei praticamente deitadas no banco traseiro, o suor frio ainda escorrendo pelas minhas costas. Naquele instante, notei a ausência de Peter. A tensão no ar intensificou-se enquanto aguardávamos, ansiosos pela sua chegada.
Cada segundo se estendia como uma eternidade, e a incerteza pairava sobre mim como uma sombra gélida. "O que teria acontecido com ele?" Pensei, enquanto a adrenalina se misturava à preocupação. Mantinha os olhos fixos na entrada da clínica, esperando ansiosamente que Peter aparecesse a qualquer momento, a esperança lutando para se manter viva em meio ao caos.
— Droga, vou ter que voltar lá! Fiquem abaixadas, não podemos levantar suspeitas! — Abri a porta para sair, mas de longe vi ele retornando. Voltei e fechei a porta novamente, o coração batendo descompassado diante do alívio repentino.
— Oi Briana, senti saudades! — Lauren sorriu, sua presença trazendo um misto de alívio e tensão.
— Preciso que vá para o banco de trás, Lauren! — Murmurei, a urgência marcando minhas palavras, enquanto ela rapidamente atendia meu pedido, a ansiedade palpitando em cada gesto.
— Uau, quem é aquele gato vindo ali? — A garota perguntou, sua voz carregada de curiosidade.
— Ei, ele é meu namorado! Quem é essa intrusa? — Lauren apontou o dedo na direção da garota, repleta de fúria, a situação escapando ao controle por um breve momento.
— Longa história! — Briana sorriu, tentando suavizar o clima tenso, notando-se meio sem jeito diante da situação constrangedora.
— Vamos embora! — Peter falou assim que passou pela porta, e não demorou muito para ouvirmos o alarme disparando e as luzes vermelhas em volta dos portões piscando, o perigo agora palpável.
— Você conseguiu as fotos? — Perguntei completamente eufórico, a esperança renovada diante da possibilidade de sucesso.
— Consegui mais que isso, fiz alguns vídeos! — Peter sorriu de canto, a expressão triunfante revelando o sucesso da missão arriscada.
— Pisa fundo, Billy! — Lauren pediu com os olhos arregalados, a urgência refletida em sua voz, e assim fiz. Pisei no acelerador, nos levando para bem longe do local, a adrenalina ainda pulsando em minhas veias.
— Briana, você está bem? — Peter perguntou, a preocupação evidente em sua voz.
— Melhor seria impossível! Eu sabia que o Billy daria um jeito de me tirar daquele lugar! — Ela encarou meus olhos pelo retrovisor central, um sorriso de gratidão e alívio se formando em seus lábios, a jornada de resgate finalmente alcançava seu desfecho.
O trajeto inteiro transcorreu em completo silêncio, como se todos estivéssemos anestesiados pelo que acabamos de realizar. O peso do que vivemos pairava no ar, cada um imerso em seus próprios pensamentos e emoções. Ao alcançarmos a rota 42, percorremos uma pequena distância até avistar o carro de Derek, um sinal de alívio após a tensão vivida.
Parei o veículo no acostamento e, ao desembarcar, respirei profundamente, tentando assimilar o turbilhão de sentimentos que inundava minha mente. O silêncio persistia, apenas o som suave do vento e o farfalhar das folhas quebravam a quietude ao nosso redor. Era como se o mundo tivesse diminuído a velocidade, permitindo-nos respirar depois da corrida contra o tempo e os perigos enfrentados. Olhei para Briana, Peter e Lauren, cada um com expressões que revelavam a intensidade da jornada que compartilhamos.
Não precisávamos de palavras para entender o que havia sido feito e o que estava em jogo. O alívio de estarmos fora daquele ambiente opressivo era evidente, mas também havia uma sensação de vulnerabilidade e incerteza sobre o que viria a seguir.
Em meio ao silêncio, as emoções se misturavam: a gratidão pela liberdade recuperada, a preocupação com o futuro e a certeza de que aquela noite marcaria nossas vidas para sempre. Nosso destino agora era incerto, mas estávamos juntos, unidos pela experiência compartilhada e pela determinação de seguir em frente, enfrentando o que quer que viesse pela frente.
— Vamos, meninas, temos que continuar! — Quebrei o silêncio, endireitando-me e apoiando as mãos nos joelhos, a determinação transparecendo em minha voz.
— Billy, o que diabos está acontecendo? — Derek encarou as duas, ainda vestidas com camisolas hospitalares, a confusão estampada em seu rosto.
— Agora não se trata mais de um sequestro, mas sim de dois! — Comentei com um toque de sarcasmo, a ironia tingindo minhas palavras.
— Espero que saiba o que está fazendo! — Derek franziu o cenho, preocupação evidente em sua expressão.
— Vamos embora! — Sentei ao lado de Derek, coloquei o cinto de segurança e apertei a mão de Peter para me despedir. — Assim que chegarmos, entrarei em contato com você! — Murmurei, transmitindo confiança apesar das circunstâncias tensas. Derek acelerou, nos afastando em direção à casa dos meus avós, o motor roncando em concordância com o turbilhão de emoções que nos envolvia.
— Trouxe o que pediu! — Derek entregou uma arma calibre .40 em minha mão, o peso do objeto simbolizando a seriedade do momento.
— Por que precisa disso? — Briana arregalou os olhos, a preocupação evidente em seu tom de voz.
— Tenho que acertar as contas com Samuel, já que ele ousou tentar mexer com você! — Revelei, a determinação firme em minhas palavras, a promessa de justiça pairando no ar.
— Não quero que se envolva em encrenca por minha causa, Billy! — Suspirou Briana, os olhos expressando uma mistura de medo e gratidão.
— Querida, você é a minha garota! Já que a lei não vai fazê-lo pagar pelo que fez, eu mesmo darei um jeito nisso. Pode demorar anos, mas vou pegá-lo! — Arqueei a sobrancelha, a determinação em meus olhos refletindo minha promessa.
— Senti sua falta! — Briana confessou, as palavras carregadas de emoção.
— Também senti, e pretendo encerrar essa saudade em breve! — Sorri de canto, deixando claro que a noite reservava algo especial para nós, um sentimento de esperança mesclado com a resolução de fazer justiça prevalecer.
Após uma jornada extenuante na estrada, chegou o momento de uma pausa merecida antes de alcançarmos nosso destino final. Optamos por estacionar no acostamento, entre majestosas árvores que pareciam tocar o céu, permitindo-nos respirar o ar puro e revigorante da natureza. A fome era palpável, e aproveitamos para desfrutar de uma refeição leve, sentados em meio à tranquilidade que o cenário nos proporcionava.
Meu coração batia serenamente, em sincronia com a paz que eu sentia interiormente. A presença de Briana ao meu lado era reconfortante, como se todos os desafios da estrada fossem dissipados naquele momento. Olhei nos olhos dela e, com voz carregada de emoção, finalmente consegui expressar o que há tanto tempo queria dizer: "Briana, eu te amo mais do que as palavras podem expressar. Você é o meu porto seguro, a razão do meu sorriso, e cada momento ao seu lado é uma bênção que guardo no coração."
O silêncio que se seguiu foi preenchido pelo canto suave dos pássaros e pelo vento sussurrante entre as folhas das árvores. Cada segundo ao lado dela era um tesouro, e aquele instante se tornou uma lembrança preciosa que guardaria para sempre. Nos abraçamos, selando com ternura um momento que simbolizava toda a intensidade do nosso amor. E ali, no meio da natureza exuberante, senti uma gratidão imensa por ter Briana ao meu lado, compartilhando não apenas a jornada, mas também os sentimentos mais profundos que habitavam nossos corações.Baixar Novelah App
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Comentário do Livro (2258)
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