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Capítulo 60. Confusão (Parte 3)

BILLY 
Alguns dias depois...
Finalmente o dia tão aguardado da visita havia chegado. A ansiedade me consumia, resultando em uma noite mal dormida. Desci as escadas empolgado, mesmo sabendo que eu não poderia entrar. Ficaria esperando por eles no carro, enquanto Peter capturaria alguns momentos em fotos para compartilhar comigo. Rapidamente belisquei algo para comer e corri para abrir o portão da garagem. Apertei o botão no controle, e enquanto o portão se abria, aproveitei para folhear algumas fotos nossas na galeria do celular.
“Realmente formamos um casal bonito!” Pensei com um sorriso sutil, sentindo um misto de nostalgia e antecipação pela visita. Lauren se aproximou, e eu prontamente guardei o celular no bolso, ansioso para dar início ao dia especial. Olhei para o lado e percebi que minha mãe me observava, acabara de trazer Lauren. Notei uma expressão em seu rosto que indicava que ela queria dizer algo, mas antes que pudesse, entrei no carro e me acomodei no banco de trás, entre Lauren e Peter.
O trajeto passou rápido, mas a vontade intensa de poder entrar em algum lugar era notável. Peter seria o primeiro a entrar, e eu aguardei incansavelmente por seu retorno, ansiando por cada detalhe da visita. A ansiedade tornava o ar quase impossível de ser respirado. Balançava minhas pernas impacientemente, enquanto roía minhas unhas, gestos nervosos que denunciavam minha emoção contida.
Cada minuto parecia uma eternidade, e o suspense do que estava acontecendo do lado de dentro era quase insuportável. Finalmente, após um tempo que parecia interminável, vi Peter retornando ao carro. Mal ele entrou, e eu o bombardeei com várias perguntas, ávido por saber cada detalhe, sentindo o alívio e a alegria de finalmente poder compartilhar o momento tão esperado com minha Briana.
— Como foi? Ela está bem? Tirou fotos dela? — Perguntei desesperado, ansioso por qualquer informação sobre ela.
— Calma, Billy! Ela estava dormindo, não falei com ela! —  Ele passou as mãos nos cabelos, mostrando sua própria frustração diante da situação.
— Como assim dormindo? Não acha isso estranho? — Encarei-o por um instante, buscando entender o que estava acontecendo.
— Claro que é estranho! Ficamos um mês sem poder vê-la e quando finalmente pudemos, ela estava dopada! —  Ele coçou a cabeça, expressando sua indignação.
— Tem coisa errada aí, Peter! — A inquietude falava por mim, enquanto minha mente buscava por explicações lógicas para o que estava acontecendo.
— Calma, vamos ver o que meu pai vai falar! — Ele retirou o celular do bolso, demonstrando uma determinação em resolver a situação.
— Gente, aquela lá dentro definitivamente não era a Briana que conhecemos! — Lauren falou assim que entrou no carro, trazendo mais desconfiança para a conversa.
— Você conseguiu falar com ela? — Murmurei esperançoso, buscando uma confirmação de que Briana estava bem.
— Falei, mas ela não respondeu nada. Ela abriu os olhos e simplesmente parecia ter perdido a fala! — Lauren explicou com detalhes, revelando a gravidade da situação.
— Merda, eu sabia que essa clínica não era confiável! — Respirei fundo, sentindo a frustração e preocupação crescerem dentro de mim.
O pai da Briana não demorou muito para voltar. Como esperado, Peter foi o primeiro a tocar no assunto, mostrando sua determinação em buscar respostas.
— Pai, tem algo errado acontecendo! A Briana nem parece a mesma! — Ele inclinou-se para frente, aproximando-se do banco do motorista em busca de esclarecimentos.
— Também achei, mas disseram que é normal! Os medicamentos que ela está administrando são bastante fortes e serão reduzidos gradativamente! — Explicou ele, tentando acalmar nossas preocupações com uma justificativa médica, mas eu não consegui digerir nada do que disse, minha mente ainda em turbilhão de dúvidas e temores.
— Não sei não. Eu não consigo confiar naquelas pessoas! — Peter resmungou, ecoando o sentimento de desconfiança que todos compartilhávamos naquele momento.
Retornamos para casa e após um banho rápido, deitei-me na cama. Tentei evitar pensar na maldita clínica, mas essa tarefa se mostrava quase impossível; a imagem dela martelava incessantemente em minha mente. Em meio a esses pensamentos, meu celular apitou, revelando uma mensagem de Peter que solicitava minha presença em seu quarto.
“Por que diabos ele está me enviando uma mensagem se estamos na mesma casa?” Perguntei a mim mesmo. A sensação de desconforto persistia enquanto me dirigia ao quarto de Peter. Cautelosamente, abri a porta e deparei-me com ele, visivelmente tenso. Seus olhos refletiam uma mistura de apreensão e desconfiança, aumentando ainda mais minha intriga.
— O que aconteceu? — Perguntei assim que abri a porta, preparado para qualquer revelação surpreendente.
— Estava lendo alguns relatos de ex-pacientes da clínica. Encontrei uma mulher que trabalhou lá por um tempo e ela fez sérias denúncias contra eles! Consegui o endereço dela, não é muito longe daqui. O que acha de irmos até a casa dela? — Sussurrou ele, como se estivéssemos prestes a desvendar um grande mistério.
— Vou ligar o carro! — Respondi sem hesitação, sentindo uma mistura de determinação e ansiedade pelo que poderíamos descobrir.
— Se meu pai perguntar algo, estamos indo na casa de algum amigo meu! — Ele avisou, ciente da necessidade de manter nosso plano em segredo.
— Pode deixar! — Voltei ao quarto onde repousava antes, calcei um par de tênis e peguei as chaves do Mustang, pronto para agir.
O pai do Peter não costumava fazer muitas perguntas, ao contrário dos meus pais, que realizavam um interrogatório cada vez que eu ou minha irmã saíamos. Peter sentou-se no banco do passageiro. Tirei o carro da garagem, e no acostamento nos deparamos com Lauren, que acabara de chegar. Ela me observava com uma expressão nada amistosa, despertando ainda mais meu desconforto diante da situação.
— Onde estão indo? — Perguntou curiosa, lançando um olhar perspicaz na direção de Peter e eu.
— Na casa de um amigo meu! — Menti, mantendo o disfarce mesmo sob o olhar atento dela.
— E por que o Peter está indo junto? Vocês não têm amigos em comum! — Insistiu com o interrogatório, mostrando sua habilidade em identificar inconsistências.
— Quando voltarmos a gente te explica tudo, eu prometo! — Tentei esquivar do assunto, mantendo a fachada mesmo diante da pressão.
— Pisa logo nesse acelerador! — Peter pediu discretamente, e imediatamente atendi ao seu pedido, acelerando o carro em direção ao desconhecido, com a promessa de desvendar segredos e revelações que poderiam mudar tudo.
Enquanto acelerava o carro, a ansiedade pulsava dentro de mim, misturada à curiosidade sobre as denúncias da ex-funcionária da clínica. Lauren, no entanto, lançou um olhar de desconfiança que prometia uma conversa intensa quando retornássemos. 
A estrada se estendia diante de nós, carregada de expectativas e mistérios, enquanto nos dirigíamos para desvendar os segredos ocultos na casa da denunciante. O suspense aumentava a cada quilômetro percorrido, alimentando a atmosfera intrigante que envolvia nosso destino incerto. Após algum tempo dirigindo, conseguimos encontrar o endereço que o Peter havia obtido na internet.
Era em um condomínio situado em um bairro bastante nobre da cidade. Para entrar, tivemos que apresentar nossos documentos e assinar um termo. Deixamos o carro no estacionamento e seguimos caminhando até encontrar o número da casa. Apertei a campainha, e uma jovem mulher atendeu a porta.
 — Em que posso ajudá-los? — Perguntou educadamente, sua expressão mostrando cautela.
— Estamos procurando pela Olívia Martín! — Expliquei, mantendo uma postura firme, porém respeitosa.
— Sou eu, o que querem comigo? — Perguntou desconfiada, seus olhos perscrutando nossas intenções.
— Queremos falar sobre a clínica de tratamento psicológico! — Peter falou em voz baixa, revelando o propósito de nossa visita.
— Vão embora daqui! — Ela praticamente bateu com a porta na nossa cara, mostrando sua relutância em se envolver.
— Olívia, por favor, preciso das suas informações. Minha namorada foi internada lá há cerca de um mês! — Tentei ser o mais sincero possível, apelando para a compaixão.
Ela abriu a porta novamente, aparentemente tocada pela honestidade em minha voz.
— Desculpe, pensei que fossem funcionários da clínica! Por favor, queiram entrar! — Convidou a mulher que, há alguns minutos atrás, nos havia colocado para correr, mostrando um lado mais receptivo agora.
— Vi seus depoimentos na internet. A minha irmã foi internada lá no último mês! — Peter falou sem rodeios, revelando a conexão que nos levava até ali.
O contraste entre o ambiente tenso na porta de Olívia e a atmosfera tranquila do condomínio nobre era evidente. Ao entrarmos em sua casa, uma mistura de ansiedade e esperança me abraçavam enquanto começávamos a desvendar os mistérios que envolviam a clínica de tratamento psicológico.
— E o que exatamente querem saber? — Ela franziu o cenho, sua expressão mostrando a cautela diante do assunto delicado.
— Tem algo errado com aquele lugar! — Murmurei, sentindo um arrepio percorrer minha espinha ao relembrar o que Briana poderia estar enfrentando.
— Tudo está errado naquele lugar! — Ela gargalhou, mas o tom de sua voz denotava a amargura e o horror que havia presenciado. — Eles torturam as pessoas, fazem experimentos nos pacientes e pelo pouco tempo que permaneci trabalhando lá, vi muitos jovens morrendo! Sem dúvidas foi o lugar mais traumatizante que já trabalhei! — Seus olhos aterrorizados mostravam o quanto ela se incomodava em falar sobre o assunto, e compreendemos a seriedade da situação.
— Eu sabia disso, precisamos tirar ela de lá, Peter! — Trinquei o maxilar, determinado a agir.
— E como vamos fazer isso? Aquele lugar é enorme e você não pode chegar a meio metro do portão! — Peter coçou a cabeça, revelando a dificuldade em encontrar uma solução viável.
— O que você aprontou lá? — Olívia arqueou as sobrancelhas, percebendo que tínhamos alguma história pessoal com a clínica.
— Ah, é uma longa história! — Passei as mãos entre os cabelos, relutante em entrar em detalhes naquele momento.
— Talvez eu possa ajudar vocês a entrar! — Afirmou ela, captando nossa atenção imediatamente.
— Como faria isso? — Eu e Peter perguntamos juntos, nossos olhares se encontrando em busca de uma resposta.
— Primeiro vou preparar um café pra vocês! — Ela avisou e caminhou até a cozinha, indicando que a conversa continuaria em breve, mas que precisávamos de um momento para nos recompor e pensar em uma estratégia.
A revelação chocante sobre os horrores na clínica criou uma urgência em meu coração. As palavras de Olívia ecoavam, delineando um panorama sombrio que exigia ação imediata. Enquanto refletia sobre o resgate, a oferta de Olívia para nos ajudar a entrar gerou uma esperança cautelosa, tornando o cômodo daquela casa o palco para planejar os próximos passos em direção à verdade.
Eu e o Peter permanecemos sentados no sofá. Eu estava impaciente e ansioso para saber o que ela tinha a dizer, contudo, não queria forçar a barra. Precisava deixá-la à vontade para falar. A última coisa que eu queria era que ela desistisse de nos ajudar, pois naquele momento, ela era a única esperança que tínhamos.
O silêncio tenso preenchia o ambiente, enquanto eu e Peter aguardávamos, conscientes da delicadeza do momento. O peso da situação me envolvia, e a esperança repousava sobre as palavras que Olívia compartilharia, delineando o destino incerto que me aguardava na luta contra os horrores da clínica.

Comentário do Livro (2262)

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    Silvasilvalaianedejesus

    incrível

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    CunhaSocorro

    hjhh

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    PedroRose

    eu amei

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