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Capítulo 50. Dia péssimo, tarde perfeita (Parte 1)

BRIANA 
Alguns dias após o aniversário do Peter...
Naquela manhã de sexta-feira, meu coração batia descompassado, ecoando a contagem regressiva para o último dia de aula e as temidas provas finais. A semana havia passado sem grandes eventos, até que o som insistente da buzina quebrou a tranquilidade do meu quarto. Ergui-me apressadamente, ciente de que aquele alarme não poderia significar coisa boa.
Ao espreitar pela janela, deparei-me com Billy, cujos gestos frenéticos e o relógio em punho anunciavam um grande risco de chegarmos atrasados. Em um misto de urgência e irritação, fiz-lhe sinais desesperados para que se acalmasse. Vesti minha calça jeans já desgastada pelo uso, e uma camiseta branca do colégio, nosso uniforme informal e emblemático, complementando o conjunto com meus inseparáveis All-Stars nos pés.
Em frente ao espelho, fiz um rápido penteado para domar a rebeldia dos cabelos e uma escovação apressada dos dentes, mas isso não era suficiente para dissimular a tensão que transbordava de meus olhos. Odiava acordar tarde, especialmente em um dia crucial como aquele. Acompanhei Billy até o carro, onde ele iniciou seu desfile habitual de piadas. Meu olhar cortante foi o suficiente para silenciá-lo, deixando claro que ali não era hora para brincadeiras.
Ele captou a mensagem no ar, abafando o riso nervoso enquanto nos dirigíamos apressadamente rumo à escola. O trajeto se desenrolou em um silêncio tenso, apenas interrompido pelas notas vibrantes das músicas do toca-fitas. Uma faixa do Aerosmith ecoava, preenchendo o carro com sua energia contagiante. Não resisti e comecei a cantarolar baixinho, deixando-me levar pela melodia envolvente.
Billy observava-me com um sorriso divertido, seus olhos brilhando com uma mistura de humor e camaradagem. Aos poucos, ele se juntou à minha serenata improvisada, transformando aquele momento em uma sintonia de amizade e cumplicidade. À medida que nos aproximávamos do colégio, as ruas iam se enchendo de vida e movimento, sinais claros de que mais um dia agitado estava prestes a começar. No entanto, algo na atmosfera mudou. As preocupações com as provas finais, que antes pesavam inegavelmente sobre meus ombros, deram lugar a uma certa leveza no ar.
Era como se aquele breve momento de descontração tivesse o poder de dissipar as tensões e trazer um sorriso ao meu rosto cansado. Minha relação com Billy era assim, uma mistura de pequenos momentos simples que se transformavam em preciosas lembranças. Seus comentários sarcásticos, nossas conversas bobas e até mesmo nossas discussões ocasionais eram o antídoto perfeito para acalmar os nervos que ameaçavam dominar meu último dia de aula.
Ele era meu grande companheiro de jornada, alguém com quem eu podia ser eu mesma sem medo de julgamentos ou expectativas. E naquele instante, enquanto nos aproximávamos do colégio, eu soube que não importava o que o futuro reservava, pois eu tinha o Billy ao meu lado para enfrentá-lo.
— Você está linda! — Ele me elogiou, um sorriso encantador iluminando seu rosto.
— Para de brincadeira, estou um desastre! — Revirei os olhos, tentando esconder a leveza que suas palavras traziam.
— Não é brincadeira, é a mais pura verdade! — Ele replicou com um brilho nos olhos, sua admiração transparecendo de forma genuína. Seus elogios ressoavam como uma canção suave, dissipando todas as minhas inseguranças sobre minha aparência naquele momento.
***
Chegamos à escola e, ao descer do carro, nossos passos nos levaram diretamente ao encontro de Alison. Ela estava deslumbrante, equilibrando-se com maestria em saltos altíssimos que desafiavam a gravidade. Sua vestimenta era um desfile de moda, projetada para atrair olhares e conquistar seguidoras em suas redes sociais, enquanto sua maquiagem era uma obra de arte impecável. "Como alguém consegue ter tanta energia para se produzir assim logo de manhã? Eu mal consigo sair da cama sem parecer um zumbi", pensei com uma pontada de admiração misturada com inveja.
Notei que Billy estava boquiaberto diante da cena, e não podia culpá-lo. A garota com quem ele tinha uma história passada irradiava uma elegância e confiança que eram difíceis de ignorar. Um breve lampejo de ciúmes percorreu meu peito, um sentimento quase automático que me pegou desprevenida. "Será que estou me preocupando demais com algo que talvez não deveria?", questionei-me enquanto observava Alison deslizando com segurança pelo corredor da escola, como se cada passo fosse uma afirmação de sua autoconfiança.
Foi então que me peguei refletindo sobre a necessidade de me comparar com ela. Talvez, no final das contas, a verdadeira competição não fosse contra Alison ou qualquer outra pessoa, mas sim contra minhas próprias inseguranças, aquelas que eu precisava superar para me sentir verdadeiramente confiante e realizada.
— Uau, ela está deslumbrante! — Engoli em seco, sem perceber que minha voz saiu mais alta do que o pretendido, até que os olhos de Alison encontraram os meus.
— Não é tudo isso! — Billy pigarreou, tentando desviar a atenção da situação, enquanto eu o observava com uma expressão imperturbável.
Não demorou muito para Alison deixar suas admiradoras e caminhar em nossa direção. Era evidente que ela se destacava na sociedade escolar, sempre adotando as últimas tendências e liderando as mudanças em seu círculo social.
— Oi, Billy! — Ela o abraçou calorosamente, quase envolvendo o rosto dele em seus seios. O decote de sua blusa era de tirar o fôlego. Sem perceber, franzi a testa espontaneamente, sentindo uma pontada de desconforto.
— Oi, Alison! — Ele sussurrou, e pude notar um certo desconcerto em sua voz.
— Querida, poderia nos dar licença? Preciso falar com ele a sós! — Ela pediu, tentando ser educada, mas eu pude perceber uma pontada de ironia nas palavras.
— Claro, nos vemos na sala de aula! — Avisei, tentando disfarçar o mal-estar, e me retirei discretamente, sentindo o peso da situação nas costas.
— Briana, não precisa ir. Não tenho nada a esconder de você! — Billy gritou, tentando me fazer ficar, mas eu continuei caminhando, ignorando o nó que se formava em minha garganta. Alguns passos adiante, encontrei Samuel pelo extenso corredor.
— Oi, gatinha e aí? Já tem uma resposta sobre a festa de amanhã? — Perguntou ele, se aproximando com um sorriso malicioso.
— Ainda não decidi se vou! — Respondi, mantendo uma distância segura enquanto seguia em direção ao meu armário.
— Não sabe se vai ou não sabe se vai comigo? — Ele me prensou contra o armário de forma repentina, deixando-me imobilizada e praticamente sem ar, uma sensação que me fez sentir desconfortável e vulnerável.
Seus olhos verdes irradiavam uma ousadia irresistível, transformando-o em um belo e atraente cafajeste. Não era de se surpreender que ele tivesse qualquer garota da escola aos seus pés. No entanto, sua atitude grosseira e invasiva alterou significativamente minha perspectiva sobre ele. Definitivamente, aquela qualidade de comportamento não fazia meu tipo.
Enquanto tentava me recompor da situação constrangedora, meus pensamentos se voltaram para Billy. Ele era o oposto de Samuel: gentil, divertido e respeitoso. Um verdadeiro cavalheiro aos meus olhos. "O Billy sim, sem dúvida, ele faz meu tipo", pensei com um sorriso bobo se formando em meus lábios ao imaginar sua companhia reconfortante.
— Posso te responder mais tarde? Prometo que vou te ligar! — Mexi os ombros, tentando afastá-lo, mas ele parecia determinado a não me deixar escapar.
— Pelo visto, você não me quer nem como amigo, suas atitudes dizem o contrário! — Ele socou a porta do armário com força, afastando-se com um olhar irritado que não passou despercebido por mim.
— Por acaso, ouviu-me dizer que queria ser sua amiga? — Abri o armário e peguei alguns pertences, mantendo a calma diante da sua agressividade repentina.
— É sério isso? Tô levando um fora da pessoa mais desinteressante dessa escola? — Ele gargalhou, seu tom de deboche ecoando pelo corredor. — Eu sei o que fez com seu ex-namorado para ficar com o Billy, todos sabemos!
Uma onda de indignação percorreu meu corpo diante daquelas palavras venenosas, mas decidi manter a compostura.
— Pense o que quiser sobre mim! — Proferi com firmeza enquanto o encarava. — E quer saber? Irei sim nessa festa, mas não com você! — Revelei, batendo a porta do armário com força para enfatizar minha decisão, ignorando os olhares curiosos que se voltavam para nós no corredor.
— Tá se achando demais, garota insolente! — Ele me empurrou com brutalidade, e risadas maliciosas surgiram ao redor, vindas de pessoas que se divertiam com a cena. Eu respirei fundo, mantendo minha dignidade intacta mesmo diante da provocação.
Vergonha era a palavra correta para descrever o que eu estava sentindo naquele momento. Meu coração disparou, e, em questão de segundos, tudo começou a girar ao meu redor. Meu dia mal havia começado, e já estava péssimo com os acontecimentos dele.
Corri até o banheiro mais próximo, mal conseguindo conter as lágrimas que ameaçavam escapar. Fechei a porta com força e abaixei-me, deslizando sobre ela enquanto tentava recuperar o fôlego. Segurei meus livros com uma força fora do comum, como se precisasse de algo para me ancorar naquele momento de turbulência emocional. Então, sem conseguir mais segurar, gritei. Gritei o mais alto que consegui, como se aquilo fosse liberar toda a frustração e raiva que eu estava sentindo.
Cada grito era um desabafo, um desabafo silencioso que ecoava pelas paredes frias do banheiro vazio. Uma garota que estava em uma das várias cabines do banheiro me observou assustada quando abriu a porta do espaço que usava. Seus olhos encontraram os meus, cheios de preocupação e surpresa diante da minha explosão emocional. Eu não conseguia dizer nada, apenas olhava para ela com os olhos marejados, sentindo um misto de vergonha e alívio por ter liberado um pouco da pressão que estava dentro de mim.
— Você está bem? Sua mãe ainda está desaparecida, não é? — Perguntou ela, com uma expressão preocupada, referindo-se que meu surto tinha sido provocado pela ausência da minha mãe. Era natural que ela pensasse assim, afinal, todos na escola sabiam do que estava acontecendo em minha vida.
— Só me deixe em paz! — Murmurei, sentindo uma mistura de tristeza e irritação percorrendo meu corpo.
— Desculpa, não está mais aqui quem falou. Preciso sair! — Ela lavou as mãos na pia e parou na minha frente, já que eu bloqueava a porta de saída com meu corpo. Seus olhos ainda demonstravam preocupação, mas eu não estava pronta para lidar com aquela gentileza naquele momento. Só queria ficar sozinha e processar tudo o que estava acontecendo.
Levantei-me apressada, enxuguei as lágrimas e cedi espaço para que ela pudesse passar. Dirigi-me apressadamente até uma das pias, abri a torneira e lavei meu rosto repetidamente, como se pudesse afogar a dor que se manifestava intensamente em meus olhos. Encarei-me no espelho, vendo a angústia refletida em meu próprio rosto. Percebi que seria difícil permanecer naquele local naquele dia.
Embora já tivesse contemplado a ideia de desistir, inclusive dos estudos, refletir sobre o quanto já havia superado me fazia hesitar. Estava tão próxima da conclusão que abandonar naquele momento significaria desperdiçar todo o esforço dedicado até então. Respirei fundo, tentando encontrar forças para continuar. A porta se abriu abruptamente, e pelo reflexo no espelho, notei que Alison e suas novas amigas haviam entrado.
Entre elas estava Hanna, que, ao me avistar, retrocedeu imediatamente. A tensão era perceptível, e a pressão da situação aumentava a cada segundo. "Era só o que me faltava!", ponderava, sentindo-me acuada diante da presença das outras garotas.
— Era você mesmo que eu queria encontrar! — exclamou ela, jogando a bolsa para uma das amigas e avançando rapidamente em minha direção.
— O que quer comigo? — perguntei, minha voz embargada pela surpresa, sentindo o impacto de sua mão contra meu rosto.
Caí no chão com o baque, e antes que pudesse reagir, ela me ergueu pelo colarinho da camiseta. A força de seu gesto me pegou de surpresa, deixando-me sem fôlego e sem reação. Ela empurrou minha cabeça contra o espelho, e imediatamente o vidro estilhaçou com um estrondo assustador.
A dor aguda do corte se misturou com o choque da situação, tudo acontecendo tão rápido que mal tive chances de processar o que estava acontecendo, muito menos de me defender. Aquela ação dela era completamente inesperada, uma explosão de emoção contida que agora se despejava sobre mim com uma violência inesperada.
— Você é uma grande vadia, Briana Foley! Vou te avisar apenas uma vez, fique bem longe do meu Billy, caso contrário, vai receber uma surra por dia! — Ela cuspiu no meu rosto, suas palavras cheias de ódio, enquanto me arremessava novamente contra o chão.
Permaneci em silêncio, controlando meu corpo para não demonstrar qualquer vestígio de reação. O medo se apoderou de mim de maneira assustadora enquanto a observava se afastando com suas amigas, e eu tentava segurar as lágrimas que insistiam em escapar.
Com cuidado e tremendo um pouco, ergui-me e recolhi meus pertences espalhados pelo chão. Ao passar a mão pela cabeça, percebi o sangue escorrendo entre os meus cabelos. Poderia ter reagido, desferido um golpe nela, no entanto, tudo transcorreu tão inesperadamente, e mal tive tempo de processar o que de fato acontecia.

Comentário do Livro (2262)

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    Silvasilvalaianedejesus

    incrível

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    CunhaSocorro

    hjhh

    7d

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    PedroRose

    eu amei

    7d

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