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Capítulo 05. Visita ao bar (Parte 3)

BRIANA 
Abri a garrafa de água e dei longas bebericadas nela, sentindo a frescura do líquido aliviar a tensão que havia se acumulado. As pessoas ao redor pareciam estar vendo um extraterrestre, seus olhares curiosos e intrigados enquanto eu tomava algo tão simples em um ambiente tão diferente.
— Por favor, uma soda com gelo e limão! — Billy pediu, quebrando o silêncio desconfortável, e o espanto ficou estampado nos rostos dos amigos dele, que não estavam acostumados com pedidos tão básicos vindo dele. — Relaxa, galera! Não sou eu quem vai tomar, é para ela! — Apontou o dedo indicador na minha direção, um sorriso maroto brincando em seus lábios.
— E quando foi que te pedi isso? — Cocei a cabeça, tentando entender a lógica por trás daquele gesto inesperado.
— Não pediu, mas pode beber, é por minha conta! — Billy retirou um cigarro da cartela e o acendeu, mostrando sua atitude despreocupada e generosa ao mesmo tempo. O atendente logo me entregou um copo grande com a soda, decorado com duas rodelas de limão na borda como enfeite. Beberiquei o líquido, apreciando o frescor e a leveza que contrastavam com o ambiente carregado do bar.
— Você não toma bebida alcoólica? — Kevin franziu o cenho, curioso para saber mais sobre mim.
— Prefiro evitar, minha última experiência não foi das melhores! — Sorri sem jeito, compartilhando um pouco da minha história pessoal.
— Por que? O que aconteceu de tão grave? — Billy soltou a fumaça do cigarro com um gesto casual, mas seus olhos denotavam interesse genuíno, ansioso para compreender melhor quem eu era e o que me motivava.
— Fui parar no hospital, praticamente entrei em coma alcoólico! — Murmurei, relembrando a sensação de perigo e descontrole que aquela noite havia me trazido.
— Quanto você havia bebido? — Ele arqueou a sobrancelha, suas feições denotando preocupação e incredulidade diante da gravidade do meu relato.
— Não me lembro com precisão, mas começamos a beber por volta das sete da noite e só paramos no dia seguinte! — Suspirei, sentindo um peso nostálgico sobre meus ombros ao relembrar aquele momento de descontrole.
— Bebeu bastante, pelo visto, isso não é bom pra uma garota indefesa! — Kevin murmurou, sua voz carregada de uma mistura de compaixão e advertência, colocando a mão em meu ombro como um gesto de apoio.
— Não sou tão indefesa assim! — Respondi, sentindo uma chama de determinação queimando dentro de mim, e num movimento rápido, puxei-o pelo braço e o joguei
suavemente ao chão, simulando um golpe contra seu rosto para mostrar que tinha controle e defesa sobre mim mesma.
— Caramba, isso foi demais! — Hanna aplaudiu, reconhecendo a demonstração de força e controle.
— Seus movimentos são bem rápidos, você pratica alguma luta? — Kevin estendeu a mão, demonstrando respeito pela minha habilidade.
— Pratiquei defesa pessoal por alguns meses! — Sorri de canto, sentindo um orgulho tranquilo por ter essa capacidade de me defender.
— É, parece que a nossa amiga é repleta de surpresas! — Billy comentou, olhando-me com um misto de admiração e curiosidade.
— Billy, eu preciso ir ao banheiro, pode vir comigo? — Alison interrompeu o momento, puxando-o pela mão com urgência, e ele prontamente a seguiu.
De maneira peculiar, vi-me desconfortável diante do acontecimento, tentando disfarçar a inquietação que me invadia. Eu me esforcei para me recompor, mantendo uma expressão neutra para não revelar o quão perturbador aquilo se tornara. No entanto, questionava-me sobre a natureza do problema dele. Recentemente, ele afirmou que não tinha nenhum compromisso sério com ela, mas bastou um estalar de dedos dela para que ele a obedecesse como um cachorrinho treinado. Isso me deixou intrigada e um tanto frustrada. Terminei a soda de um único gole, sentindo o líquido refrescante descendo pela garganta e acalmando um pouco meus nervos. Peguei minha bolsa, que estava suspensa em uma das cadeiras, e me despedi de Hanna e Kevin com um aceno discreto de cabeça, indicando que estava de partida.
— Por que está saindo tão cedo? — indagou Kevin, mostrando interesse em minha partida.
— Não quero levar uma bronca da minha mãe! — Respondi, deixando escapar a primeira coisa que me veio à mente, sem querer revelar muito sobre meus motivos reais.
— Precisa de carona? — Ofereceu-se prontamente, demonstrando sua disposição em ajudar.
— Obrigada, mas não preciso! — Prendi meus cabelos em um coque, tentando parecer segura em minha decisão.
— Tem certeza? Você disse que mora longe! — Hanna expressou sua preocupação, demonstrando empatia e consideração.
— É um pouco distante, mas gosto de caminhar! — Pisquei para ela, tentando transmitir que apesar da distância, eu estava bem e não queria causar preocupações desnecessárias antes de me retirar do local, deixando para trás aquela noite cheia de surpresas e emoções.
Caminhei até a saída do bar, deixando para trás aquele cenário carregado de tensão e intrigas, mas com uma certeza mais forte dentro de mim: eu precisava entender melhor as dinâmicas e as pessoas ao meu redor, antes que essas situações desconfortáveis se repetissem.  Eu havia caminhado cerca de três quadras quando percebi o ronco de um motor automotivo atrás de mim. Inicialmente, não dei muita importância, presumindo que fosse apenas alguém tentando chamar minha atenção de forma inconveniente. No entanto, não demorou muito para que o som do motor se intensificasse, dando a impressão de estar prestes a entrar em uma pista de corrida. Decidi olhar rapidamente para trás e constatei que era Billy, seu veículo se aproximando com uma velocidade que condizia com as ruas tranquilas daquela noite.
— Por que decidiu sair tão abruptamente? — Gritou ele, sua voz carregada de confusão e um pouco de frustração.
— Não posso chegar tarde, minha mãe me deixaria de castigo, e além do mais, você estava ocupado demais, não é? — Revirei os olhos, deixando escapar um pouco da irritação que aquela situação havia me causado.
— Disse que te levaria, entre no carro, suas coisas estão aqui! — Abriu a porta do passageiro e prontamente obedeci, considerando a distância considerável até minha casa e a conveniência de sua oferta.
— Por que faz tudo que ela quer? — Perguntei assim que me sentei, não conseguindo conter a curiosidade e a frustração que se misturavam em minhas palavras.
— Do que está falando? — Ele arqueou a sobrancelha, mostrando-se surpreso com minha pergunta direta.
— Da Alison! Você é um grande mentiroso, disse que não tinha nada com ela, mas sempre que ela quer sua atenção, age feito um cão adestrado! — Terminei de falar, imediatamente me arrependendo de ter deixado escapar aquelas palavras tão acusadoras.
— Tá legal, em primeiro lugar, isso não é da sua conta, e segundo, por que se incomoda tanto com isso? — Billy desligou o carro e ficou me encarando, sua expressão séria mostrando que minha observação tinha mexido com ele.
— Você tem razão, desculpe, só me leve para casa! — Murmurei, percebendo que talvez tivesse extrapolado os limites ao questioná-lo daquela forma tão direta e invasiva.
Ele permaneceu estacionado por um longo período, o silêncio tornando-se quase palpável, quebrado apenas pelas músicas que tocavam no rádio como uma tentativa de preencher o vazio desconfortável. Engoli em seco, sentindo o peso da atmosfera carregada, e tentei me distrair com qualquer coisa no meu celular, desejando ardentemente escapar da tensão que nos envolvia. Logo, ele ligou o veículo e acendeu um cigarro, o aroma penetrante se misturando ao ar já carregado do carro. Coloquei meu endereço no GPS, sentindo seus olhos curiosos me encarando pelo retrovisor, e minha pele fervia de vergonha pelo constrangimento recente. Evitei encará-lo durante todo o trajeto, perdida em pensamentos sobre como lidar com a situação e torcendo para que o tempo passasse mais rápido até que finalmente chegássemos ao meu destino.
— É, você realmente mora longe; com sorte, chegaria de madrugada se viesse andando! — ele começou a puxar assunto, tentando dissipar um pouco do clima pesado que se instalara entre nós.
— Tem razão, mas eu chegaria! — murmurei, concordando de forma suave.
— Amanhã vamos ao barzinho de novo! Se quiser, pode levar roupas e tomar banho na minha casa, já que mora tão longe! — ofereceu de forma educada, mostrando sua preocupação em ajudar.
— A ideia não é ruim! — sorri sem encará-lo, mantendo uma leve distância emocional para evitar mais constrangimentos, e logo escutamos a voz eletrônica do GPS indicando que nosso destino estava à direita. — Obrigada pela carona! — apoiei-me na janela do carro para agradecer, sentindo um misto de gratidão e desconforto pelo que havia acontecido.
— Suas coisas estão no porta-malas! — ameaçou descer do veículo, mas o interrompi, tentando evitar mais interações diretas naquele momento tenso.
— Se não tiver problemas, pego com você amanhã na escola! — balbuciei, desejando encerrar aquela situação delicada o mais rápido possível.
— Problema nenhum! — ele murmurou, concordando de forma simples.
— Quer entrar e comer alguma coisa? — convidei gentilmente, tentando mostrar que ainda havia uma boa relação entre nós apesar do momento difícil.
— O que eu realmente quero comer, você não vai poder me dar! — encarou-me de forma constante, suas palavras carregadas de subtexto e tensão.
— Bom, então, até amanhã! — grunhi, sentindo-me completamente sem graça e desconfortável com a situação.
— Briana, se você não tivesse compromisso com o carinha lá, teríamos alguma chance? — permaneceu estático, deixando claro que ainda havia algo não resolvido entre nós.
— Tenho namorado, e você sabe disso! — virei-me e corri sem olhar para trás, desejando escapar daquele momento constrangedor e das emoções confusas que surgiram durante a noite.
Abri a porta da frente com relutância, desviando o olhar do carro que permanecia imóvel à distância, como um lembrete sombrio de uma história mal resolvida. Adentrei, mantendo-me estática com as costas junto à porta, como se temesse que o mundo lá fora pudesse me engolir a qualquer momento. Rumei ao quarto, onde o silêncio parecia ensurdecedor, e retirei o celular da bolsa com pressa, como se encontrar alguma distração fosse minha única salvação naquele momento. Joguei-me sobre a cama, deixando-me afundar nas redes sociais como quem se agarra a uma bóia em um mar de incertezas. Aceitei o pedido de amizade da Hanna, buscando qualquer conexão possível com o mundo exterior.
Foi quando notei uma solicitação de Lauren Evans, a irmã de Billy, um nome que despertou uma mescla de curiosidade e apreensão dentro de mim. Rapidamente, concedi a aprovação e mergulhei na página dela, encontrando uma abundância de fotos dele em seu perfil, cada imagem uma lembrança agradável do que poderia ter sido. Examinei cada foto meticulosamente, como se cada detalhe pudesse revelar segredos que eu ainda não conhecia. De repente, meu celular emitiu um bip estridente, fazendo meu coração dar um salto dentro do peito.  Aquela notificação foi como um choque elétrico, trazendo-me de volta à realidade que eu tanto queria evitar. Sentia-me como se estivesse cometendo um erro terrível, como se cada clique fosse uma confissão silenciosa de um desejo proibido que eu não queria admitir, mas que estava ali, latente.
Olhei para a barra de notificações e vi uma mensagem de Alex desejando-me uma boa noite, uma mensagem que era um lembrete doloroso da vida que eu estava tentando deixar para trás. Respondi rapidamente, tentando afastar os pensamentos intrusivos que começavam a se insinuar em minha mente. Retornei à rede social, buscando refúgio nas postagens engraçadas de páginas que eu seguia, como se o riso pudesse dissipar a nuvem escura que pairava sobre mim. Foi então que, na opção "pessoas que talvez você conheça", o nome de William Evans surgiu, acompanhado de uma foto dele sem camisa, uma imagem que fez meu coração acelerar em um ritmo descontrolado. Não resisti à tentação e acessei o perfil, sentindo a necessidade urgente de investigar sua vida, mesmo que fosse por apenas um minuto, como uma espiã clandestina em busca de segredos ocultos. Cada imagem era mais envolvente que a anterior, cada sorriso capturado na tela era como um ímã que me puxava para mais perto.
Enquanto passava por elas, meu coração batia tão forte que parecia querer escapar do peito. Foi então que aconteceu: sem querer, dei um like em uma das fotos, um gesto impulsivo que me fez congelar de pavor. Desfiz imediatamente, mas era inevitável; ele certamente veria a notificação com meu nome, um nome que eu queria manter oculto, um nome que agora estava ali, exposto para ele ver.
— Merda, que tipo de stalker sou eu? — acabei falando em voz alta, a indignação misturada com o medo em minha voz ecoando no quarto vazio, como um eco das minhas próprias incertezas. Eu estava completamente indignada com minha própria estupidez, com minha fraqueza diante da tentação, com minha incapacidade de deixar assuntos relacionados ao Billy para trás. 

Comentário do Livro (2262)

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    Silvasilvalaianedejesus

    incrível

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    CunhaSocorro

    hjhh

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    PedroRose

    eu amei

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