logo text

Capítulo 20. Luau e Prazer (Parte 1)

BILLY 
Saí da capela decidido a seguir diretamente para casa, sentindo o peso das emoções conflitantes em meu peito. A lâmpada vermelha do semáforo lançou sua luz incisiva sobre o caminho, pintando o asfalto escuro com uma sombra inquietante. As listras brancas, como marcas de um destino traçado, se estendiam diante de mim, enquanto uma brisa fria tocava meu rosto. Foi então que avistei a senhora idosa, sua figura frágil apoiada em uma bengala, atravessando lentamente a rua.
O mundo ao redor parecia distante, abafado pelo som aborrecido das buzinas impacientes dos motoristas. Quando a lâmpada verde finalmente se acendeu, liberando o fluxo dos carros, os condutores, numa pressa desmedida, desferiram suas buzinas como insultos ruidosos ao silêncio da noite. Decidi agir. Abri a porta do veículo e me dirigi à senhora, oferecendo-lhe o auxílio para concluir sua travessia segura. Seus olhos envelhecidos brilharam de gratidão quando alcançamos o outro lado. Aquela simples boa ação trouxe uma onda de calor ao meu peito, dissipando um pouco da angústia que me acompanhava.
De volta ao volante, continuei minha jornada, dirigindo por ruas iluminadas pelo amarelo pálido dos postes até finalmente alcançar o abrigo de meu lar. Estacionei o Dodge na garagem e, após um banho reconfortante que despertou meus sentidos, deitei-me na cama durante um momento de pausa. Contudo, a paz foi fugaz diante dos pensamentos tumultuados que me assaltaram, especialmente os relacionados a Briana. Sua imagem, tão vívida quanto irreal, dançava em minha mente, mesclando-se com a frustração de vê-la ao lado de seu namorado, um sujeito que eu considerava indigno dela.
Meus esforços para esquecê-la era como tentar conter as ondas do mar com as mãos, inúteis diante da força da paixão não correspondida. Despertei para a realidade ao receber um claro fora ao visitar a casa de Briana, um gesto que agora me parecia desesperado e tolo. Decidi então buscar distração no luau que acontecia naquela noite. Era um evento regular, marcando cada quinzena de sábado com música, risos e a promessa de uma noite agradável. Ao chegar, fui recebido calorosamente pela turma habitual: Kevin, Hanna e Alison, cuja presença sempre trazia um conforto familiar.
Juntos, compartilhamos risadas e histórias, deixando por um momento os dilemas pessoais em segundo plano, envolvendo-nos na magia efêmera daquela noite de luau. Apesar do acordo costumeiro que mantinha com Alison, ela insistiu em me perturbar durante toda a noite. Contudo, desta vez, resisti às suas investidas. Minha mente vagueava por outros lugares, e as melodias relaxantes de reggae que permeavam o ambiente contribuíam para que eu me perdesse em pensamentos distantes, tentando superar os contratempos recentes. Enquanto as ondas sonoras envolviam o local, mergulhei em reflexões profundas, em busca de respostas para as reviravoltas da vida.
O luau, habitualmente cheio de energia e animação, transformou-se naquela noite no palco silencioso da minha própria jornada interior. A atmosfera tranquila contrastava com o tumulto emocional que eu enfrentava, criando um cenário simbólico para minha busca por entendimento e superação. O som das ondas batendo suavemente na praia criava uma sinfonia reconfortante, como se o mar estivesse sussurrando segredos de serenidade. As estrelas cintilavam no céu escuro, emprestando um brilho especial à noite.
Enquanto eu caminhava pela areia macia, sentia-me conectado à natureza, buscando respostas no silêncio das estrelas. Cada respiração profunda trazia um pouco mais de calma à minha mente atribulada. Foi então que uma brisa suave soprou, trazendo consigo o perfume das flores tropicais. Fechei os olhos e deixei-me envolver pela sensação, como se a própria natureza estivesse tentando me acalmar. Ali, sob o céu estrelado e o som suave das ondas, encontrei um momento de paz interior. As preocupações e os desafios do dia a dia pareciam distantes, substituídos por um sentimento de serenidade e aceitação. Ao longe, ouvia-se o som de tambores, marcando o ritmo da noite. Aquelas batidas ecoavam como um convite para dançar com a vida, mesmo diante das adversidades. 
— Quer um baseado? — Kevin perguntou, estendendo-me a oferta com um sorriso torto.
— Não, valeu, tô de boa! Vou ficar só na cerveja! — Mostrei a garrafa a ele, tentando manter a leveza na conversa.
— Você está muito estranho! Não quer nada com a Alison, e agora tá recusando um baseado? Você só pode estar doente! — Ele gargalhou, o som ecoando como uma zombaria no ar.
— Só faço essas paradas quando estou afim e hoje não estou. Algum problema com isso? — Arqueei a sobrancelha, sentindo uma pontada de irritação nas palavras.
— Foi mal, não está mais aqui quem falou! — Ele ergueu as mãos, demonstrando que queria paz, mas seus olhos brilhavam com uma malícia insistente.
— Tadinha da Briana, que situação aterrorizante ela está passando! A mãe desaparecer assim de forma tão misteriosa, e pelo que saiu no jornal, foi de maneira bastante violenta! — Hanna desabafou, buscando alívio na conversa, seus olhos refletindo a preocupação.
— É, com certeza não está sendo fácil pra ela e a família! — Murmurei, expressando empatia, minha mente vagando pelos detalhes do caso.
— Logo isso vai passar, ela vai aparecer viva ou morta! — Kevin soltou a fumaça do baseado que fumava no meu rosto, um gesto que parecia desafiar o destino.
— Espero que seja viva! — Suspirei, mantendo a esperança contra as sombras que se aproximavam.
— Cara, mas cá entre nós, ela estava bem atraente naquele vestido que usava hoje na capela. Uma tremenda gostosa! — Kevin comentou de maneira desrespeitosa, sua voz carregada de desejo inoportuno.
— Escuta aqui, seu filho da puta de merda, veja bem como fala dela, cadê o respeito? — Segurei-o pela gola da camiseta, meu peito apertando de raiva, e todos ao redor nos olharam assustados, o momento tenso como um fio prestes a se romper.
— Calma, cara! Tá envolvido com ela? — Tentou tirar minha mão de sua blusa, e acabei depositando um soco em seu nariz. O som do impacto cortou o ar, ecoando como um aviso. — Porra, Billy, não precisava disso. Você quase quebrou meu nariz! — Ele gritou, seu rosto agora marcado pela dor física e pelo choque da agressão.
— Vou quebrar muito mais partes do seu corpo se não houver respeito ao falar da Briana! — O empurrei com força sobre a areia, a raiva pulsando em minhas veias, enquanto Hanna correu até ele para ajudá-lo, seu rosto uma mistura de preocupação e confusão diante da violência repentina.
— Ah, só pode, com certeza ele está envolvido com ela! — Alison resmungou, lançando insinuações que cortavam como facas afiadas.
— E se estiver? Que diabos vocês têm a ver com isso? — Joguei a garrafa de cerveja sobre uma pedra na areia, o vidro estilhaçando-se em mil fragmentos, minha voz carregada de frustração e raiva contida.
— Tá legal, ninguém tem nada a ver com a vida de ninguém! Vamos encerrar esse assunto, não vamos brigar aqui, viemos para nos divertir! — Hanna chamou nossa atenção, sua voz firme e cansada, buscando acalmar os ânimos que haviam se inflamado.
— Porra, tanto faz! — Saí para pegar outra cerveja, tentando dissipar a tensão que se instalara, mas o peso da noite pairava como uma sombra sobre nossas cabeças, tornando a diversão um desafio difícil de alcançar.
Enquanto caminhava em direção ao cooler para pegar outra cerveja, percebi o ambiente tenso que me rondava. As ondas suaves batiam na costa, criando um som de fundo que contrastava com a minha agitação emocional. Alison, ainda ressentida, trocava olhares significativos com Kevin, que tentava disfarçar a dor física causada pelo soco.
Hanna, com sua postura tranquila, tentava amenizar a situação, mas a atmosfera continuava carregada. A lua cheia lançava sua luz prateada sobre a praia, destacando as silhuetas dos amigos e a expressão séria em meu rosto. O clima entre nós estava incrivelmente tenso, então decidi dar uma volta pela praia, acabando por me deitar na areia. Permaneci um tempo contemplando as estrelas no céu, enquanto o som suave das ondas contra as rochas gradualmente acalmava meus ânimos. Pouco depois, percebi a aproximação de algumas pessoas e, ao erguer a cabeça, identifiquei a mesma turma com quem havia discutido anteriormente.
O Kevin expressava descontentamento em murmúrios, mas optei por ignorar suas palavras. Eles se acomodaram ao meu lado, e embora desejasse apenas o silêncio, evitei iniciar uma nova discussão, ciente de que não era o momento apropriado. A brisa marinha trazia consigo uma sensação de tranquilidade, enquanto eu me deixava levar pelo ritmo suave da noite. A lua brilhava como um farol no firmamento, iluminando a areia e o mar com sua luz prateada. As estrelas pontilhavam o céu escuro, criando um cenário de beleza indescritível.
A presença dos outros se tornou quase imperceptível à medida que me entregava à serenidade da noite. Os problemas e as tensões do momento pareciam diminuir diante da imensidão do universo, trazendo uma sensação de insignificância e ao mesmo tempo de conexão com algo maior. Ao longe, o som de risadas e conversas leves se misturava ao murmúrio das ondas, formando uma sinfonia noturna que acalentava meus pensamentos. Era como se a própria natureza estivesse sussurrando palavras de paz e reconciliação, convidando-me a deixar para trás as desavenças e as mágoas do momento.
— Billy, peça desculpas, você quase quebrou meu nariz, cara! — Lamentou Kevin, sua voz carregada de dor e incredulidade.
— Retire tudo que disse da Briana, e vou pensar em me desculpar com você! — Levantei-me, adotando um tom sério que ecoava minha determinação.
— É sério isso? Já falaram absurdos de mim perto de você, e você nunca fez nada a respeito! — Reclamou Alison, seus olhos refletindo uma mistura de mágoa e indignação.
— Eu sou assim, Alison. Gostei dela muito além do que deveria, portanto, quero que a respeitem! — Acabei falando, notando os olhos marejados de Alison, um sinal claro do impacto das minhas palavras. — Não me olhe desse jeito, você sabia que uma hora ou outra isso iria acontecer! Não tenho culpa de não sentir por você o que sinto por ela! — Tentei minimizar o impacto das palavras, mas a verdade cortante permanecia no ar.
— O problema é que eu sempre te amei, Billy. E estávamos bem até ela aparecer! — Suspirou Alison, sua voz carregada de desalento e dor.
— Nunca estivemos bem, Alison. Sempre foi apenas sexo, nada além disso! — Minhas palavras saíram de forma brusca, como uma faca cortando o ar e dilacerando o coração dela. O peso da verdade era quase palpável entre nós, enquanto Alison se levantava rapidamente e corria em direção ao mar, seus passos marcados pela angústia.
— Poxa, isso foi cruel, Billy! — Hanna chamou minha atenção, sua expressão refletindo preocupação e reprovação, antes de sair atrás de Alison, buscando consolá-la.
— Foi mal pelo que eu disse, não imaginei que gostasse tanto dela! — Kevin falou em voz baixa, sua postura mais séria agora.
— Foi mal pelo soco! — Murmurei, o peso do arrependimento se instalando em meus ombros.
— Estamos bem? — Kevin perguntou, me encarando com uma mistura de preocupação e hesitação.
— Acho que sim! — Deitei-me novamente sobre a areia, o cansaço emocional tomando conta de mim enquanto o som suave das ondas me envolvia, levando-me para um sono agitado repleto de reflexões sobre o que havia acontecido.

Comentário do Livro (2262)

  • avatar
    Silvasilvalaianedejesus

    incrível

    2d

      0
  • avatar
    CunhaSocorro

    hjhh

    3d

      0
  • avatar
    PedroRose

    eu amei

    3d

      0
  • Ver Todos

Capítulos Relacionados

Capítulos Mais Recentes