Página Inicial/Dreamworld - Corações em Conflito/
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Eu e Jonathan ficamos lado a lado, aguardando a chegada da noiva. Daniel estava bem nervoso. Normal, pensei comigo mesma. Ele sabe que Helena virá, mas não passa pela cabeça dele o quão linda ela estará. Eu imaginei que estaria nervosa quando estivesse com Jonathan novamente. Mas eu não estava. Normal, seria a palavra para o que eu sentia naquele momento, embora soubesse que ele sempre me atraía fisicamente. Não trocamos nenhuma palavra depois do meu cumprimento e nem me atrevi a olhar na direção dele.
Começou a tocar marcha nupcial e Helena adentrou pisando com seu salto branco com pérolas e seu belo vestido de noiva em sua entrada triunfal. O fim de tarde alaranjado, lembrando o pôr do sol na fazenda em Itaúba, foi o presente da natureza para ela durante sua cerimônia. Meu coração bateu mais forte quando vi minha amiga tão feliz no seu momento de união com o amor de sua vida. Eu não precisava desejar que eles fossem felizes para sempre: eu sei que eles seriam. Qualquer um que estava ali naquele momento sabia do amor que ambos sentiam um pelo outro.
Quando Helena chegou ao altar e Daniel a encontrou, vi lágrimas de felicidade nos olhos dos dois. Eu não esperava menos daquele casal: só amor. O mais puro, simples e verdadeiro amor. Naquele momento eu olhei para Jonathan e vi que ele sorria para os dois. Acho que ele sentia o mesmo que eu: felicidade por nossos melhores amigos estarem juntos realizando seus maiores desejos naquele momento.
Logo foi iniciada a cerimônia, de forma tradicional e rápida. Em pouco tempo ambos estavam casados, perante Deus e como testemunha tendo seus melhores amigos: eu e Jonathan. Assinamos alguns papéis e em seguida os noivos deixaram o altar. Jonathan me deu o braço, que eu aceitei e seguimos, lado a lado, atrás de Helena e Daniel. Eu não sei exatamente o que senti quando estava junto dele. Conseguia sentir a respiração dele próxima de mim. Estava insegura quanto ao que aconteceria depois. E eu esperava que existisse um depois... Que pudéssemos conversar de alguma forma. Os noivos saíram para o local onde seria a festa, dentro mesmo do clube e nós os seguimos. Eu não sei se deveria ou não soltar o meu braço do dele... Na dúvida continuei como estava. Samantha e Carlos logo nos alcançaram e seguiram ao nosso lado. Samantha me olhou e eu não consegui identificar nada no olhar dela naquele momento. Quando entramos no local onde seria a recepção, eu soltei Jonathan. Acho que estava na hora.
O local da recepção foi numa tenda gigantesca montada no clube. As pequenas mesas brancas, decoradas com lindas flores brancas em vasos enormes transparente com detalhes em pérolas circundavam o espaço onde seria depois a dança dos noivos. Os lugares eram marcados por nomes e eu fiquei na mesma mesa que Samantha, Carlos, Jonathan, Gisa, Jordany e a menina loira, de cabelos lisos e escorridos, pele bronzeada de sol, algumas sardas no rosto emoldurado por um belo par de olhos azuis grandes. Ela usava um vestido vermelho de cetim com alças finas, comportado na frente, mas com as costas completamente nuas, mostrando que não usava sutiã. Eu não poderia dizer que ela era feia, mas também não era bonita.
Antes que me sentasse à mesa fui servida de um espumante de boa qualidade numa fina taça de cristal. Todos já estavam em seus lugares, conversando animadamente. A cadeira vazia ficava entre Gisa e Samantha. Eu fiquei satisfeita com o lugar que me deixaram. Em minha frente ficava Jonathan. Cada vez que eu olhasse para frente, seria o rosto dele que eu veria.
- Amiga, você está fabulosa neste vestido. – disse Gisa quando eu sentei. - Onde você comprou? Eu nunca vi nada parecido.
- Foi presente de um amigo. – falei em tom mais baixo que o normal para não ser ouvida por todos da mesa.
- Um amigo? Onde eu encontro um amigo assim? – ela perguntou rindo.
- Em Ataúba. – disse Samantha piscando.
Rimos discretamente. Gisa também estava linda. O longo vestido verde esmeralda combinava com seus cabelos vermelhos presos descuidadamente, deixando à mostra as tatuagens que ela tinha pelo corpo. Logo começamos a conversar sobre assuntos diversos e eu acabei tentando desfocar de Jonathan e da situação ruim que nos encontrávamos. Ele sequer olhou para mim. E eu senti certa dor ao ser ignorada por ele. Vez ou outra eu me pegava buscando o olhar dele, mas não tinha resposta. Ele logo ficou a vontade com Jordany, que creio que não conhecesse muito bem e alternava suas falas entre ele, Carlos e a jovem menina que o acompanhava.
- Falou com Carlos? – perguntei para Samantha baixinho.
- Ainda não. – ela disse. – Vou fazer uma surpresa.
- Que fofo.
- Ele fingiu que nada aconteceu. Isto me deu ainda mais certeza da minha decisão. – ela disse.
- Fico feliz por você... E por ele.
- O que achou da cerimônia, Sadie? – ouvi Gisa perguntando à garota, desta forma sabendo o nome dela.
- Bonita. – disse ela carregada de sotaque, mas falando de forma clara nossa língua.
- Muito prazer, eu sou Ariane. – falei me apresentando para a garota.
- Prazer... Sadie. – falou ela sorrindo amigavelmente.
- Fala bem nossa língua. – observei.
- Sadie fez intercâmbio aqui no nosso país há alguns anos atrás. – me explicou Jonathan. – Por isso ela fala bem nossa língua.
Era a primeira vez que ele se dirigia a mim e era justamente para falar por sua acompanhante. Ela completou:
- Adoro seu país. Por isso não perdi a oportunidade de vir com Jonathan.
- Hum... – falei.
Eu gostaria de falar mais, mas tinha medo de que meu nervosismo e curiosidade de alguma forma me denunciassem.
- Sentimos sua falta, Ariane. – disse Carlos. – Veio para ficar, ou só para o casamento?
- Eu... Ainda não tenho certeza do que vou fazer. – eu disse.
- Ari e suas incertezas. – observou Gisa.
- Sempre... – falou Jonathan ironicamente, me olhando nos olhos pela primeira vez.
- Decisões importantes precisam de tempo para ser tomadas... Para não haver arrependimento. – observei retribuindo o olhar dele.
- Concordo com minha amiga. – disse Samantha levantando sua taça. – Proponho um brinde à amizade, ao amor... E às decisões sem arrependimentos.
Todos ergueram as taças. Meu olhar cruzou com o de Jonathan naquele momento. Eu sabia que precisávamos ter uma conversa e não tínhamos muito tempo para aquilo se resolver. Eu iria embora em poucos dias e creio que ele também.
- Daniel sempre foi um cara feliz... Mas confesso que nunca vi meu amigo tão feliz como no dia de hoje. – falou Jonathan olhando para os noivos.
- Ah, o amor... Estes dois são a prova viva de que o amor é maior que tudo. – disse Gisa.
- Concordo. – disse Carlos. – Nunca vi estes dois brigando. Foram feitos uma para o outro.
- O amor pode vir de onde menos se espera. – disse Jordany colocando a mão sobre a de Gisa, olhando carinhosamente para ela.
Eu fique feliz quando vi sinceridade nos olhos e nas palavras dele. Gisa merecia ser amada e apagar para sempre a lembrança de Fábio de sua vida.
- Eu... Confesso que não esperava tudo que houve com seu irmão. – disse Jonathan. – Quando Daniel me contou fiquei apavorado. Era quase inacreditável.
- O bom é que no fim encontrei e coloquei na cadeira quem matou Therry.
- No entanto ficou preso ao Dreamworld de alguma forma. – completou Samantha.
- Sim... – confirmou ele. – E quero ficar preso para sempre. – disse sorrindo para Gisa.
Novamente meu olhar cruzou com o de Jonathan. Aceitei mais uma taça de espumante e depois outra. Eu não costumava beber nada alcoólico, mas se não fosse aquilo não sei se seu suportaria continuar naquela mesa de forma tão tranquila. Eu começava a me sentir incomodada com a rejeição de Jonathan. Logo o jantar foi servido e eles continuavam falando sobre assuntos diversos. Eu nem conseguia prestar atenção sobre o que realmente conversavam. Minha cabeça girava lentamente. Eu não tenho certeza se era uma leve dor que começava ou o efeito do álcool no meu cérebro, dando uma leve sensação de tontura e bem-estar. Após o jantar, que estava maravilhoso, Daniel e Helena falaram algumas palavras, agradeceram e presença de todos e iniciaram a dança dos noivos. Iniciou com uma valsa e depois alguns ritmos diversos nuns passos bem ensaiados por eles. Foi divertido. Aplaudimos e a pista de dança foi liberada para todos os convidados. Samantha chamou Carlos e ele aceitou. Eu torci para que Gisa e Jordany não dançassem, mas foi questão de segundos e Gisa já o puxou para a pista. Então o que eu mais temia aconteceu: fiquei na mesa com Jonathan e Sadie. Se eu não tivesse bebido, creio que estaria acabada naquele momento. No entanto eu não tinha muita certeza do que realmente acontecia ou eu queria naquele momento. Mas sim, eu queria outro drinque que me foi oferecido gentilmente pelo garçom. Eu detestava dançar e ouvir a música para mim bastava. Procurei Helena com o olhar e ela veio me salvar. Ela me puxou e comecei a dançar com ela na pista.
- Helena... Obrigada. – eu disse.
- Amiga, eu sempre vou salvar você.
Para quem odiava balançar o corpo ao som de qualquer música, eu sentia vontade de dançar e mostrar minhas belas curvas exibidas no caríssimo vestido de marca. Não sei quando na vida eu me exibiria novamente daquela forma. E eu nem sentia vergonha de balançar de forma sensual.
- Quanto você bebeu? – gritou Helena para ser ouvida entre a música alta.
- Algumas boas taças. – eu confirmei.
Ela riu:
- A noite é uma criança... Se divirta minha amiga.
Dizendo isso ela saiu dançando pela pista e me deixando sozinha ali, com a nova taça que o garçom me trouxe. Confesso que eu não sentia mais o gosto do que eu bebia. A primeira taça era perfeita, a segunda boa e depois eu nem sei mais o que eu ingeria. Talvez por este motivo eu tive a impressão de ter visto Luciano sentado numa das mesas. Ele me olhou e eu fui lentamente até ele. Será que ele havia vindo me buscar? Sim, eu queria sair imediatamente daquele lugar, nos braços dele. Quando cheguei perto vi que meus olhos me enganaram. Não era ele. E conhecendo-o como eu conhecia, eu deveria saber que ele não viria atrás de mim. Quando fui me virar para voltar ao meu lugar, a primeira coisa que vi na minha frente foi Jonathan dançando com Sadie. Senti uma pontada no meu coração que doeu como eu não imaginei que doeria. Eles simplesmente dançavam juntos, nada comprometedor, mas bastou para eu entender o que estava acontecendo ali. Sorvi de uma vez o que restava na minha taça e a coloquei numa mesa próxima. Ali não era o meu lugar. Eu voltaria para Ataúba. Mas eu não iria procurar Luciano, porque ele também não me queria. Ninguém queria minha presença... Pelo contrário, tanto ele quanto Jonathan me queriam longe de suas vidas. Toquei meu pingente da sorte, que pelo visto não me trouxe tanta sorte. Tentei andar, mas minhas pernas estavam fracas e não me obedeciam. E eu não poderia pedir ajuda, pois Helena precisava aproveitar sua festa. Então me sentei à mesa mais próxima que eu encontrei, que nem sei a quem pertencia, pois minhas pernas não queriam em levar à nenhum lugar naquele momento. Um homem que eu não conhecia veio até mim e perguntou se eu queria dançar.
- Eu... Não sei dançar. – respondi gentilmente.
- Eu também não. – ele disse rindo. – Mas podemos tentar juntos.
Eu olhei para todos se divertindo à minha volta. Eu poderia pelo menos tentar. Peguei a mão dele e me deixei ser conduzida para a pista de dança. Minhas pernas não me obedeciam muito bem, mas o restante do meu corpo achava que poderia dar um show, inclusive meu cérebro. A dança era em casal. E eu me vi no casamento da minha melhor amiga, deixando um desconhecido me abraçar e me conduzir numa dança, que eu odiava, sendo que o homem que eu amava estava dançando com outra mulher e me odiava naquele momento.Baixar Novelah App
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